Milton Alves Júnior
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Famílias que residem no Povoado Pedreiras, município de São Cristóvão, estão reclamando da situação estrutural das estradas, baixa qualidade de vida, constantes doenças. Para eles, a Petrobras é apontada como a principal responsável pela situação precária. Em entrevista concedida ao Jornal do Dia, o taxista Robério Correia de Andrade garante que a estatal atua no local há 45 anos e nunca se preocupou em atender aos pleitos dos são cristovenses. "Muitas famílias já saíram daqui porque ficaram doentes e se continuassem poderiam morrer. Os caminhões pesam até 70 toneladas e o risco inclusive de acidentes é muito grande. É preciso que a empresa se conscientize e evite maiores descontentamentos", afirmou.
Ainda de acordo com as denúncias, o custo da obra de qualificação da via custaria ‘pouco’ para o poder público federal. "Seriam quatro milhões e 600 mil reais para a Petrobras. Com a instalação do asfalto e ampliação da pista os buracos vão acabar e a segurança vai aumentar", pontuou Robério. Essa foi a segunda manifestação em menos de um ano no povoado. Além da estrada sem asfaltamento, os moradores enfrentam também a ausência de pavimentação. A veracidade das reclamações é possível identificar na entrada principal do povoado, onde apenas metade da via é calçada. Ainda segundo as famílias, a direção da Petrobras já foi informada, como também os prefeitos que administraram a cidade nas últimas quatro décadas.
Compartilhando com as informações apresentadas pelo taxista, o presidente da Associação de Moradores do Povoado Colina, Rafael Oliveira, disse que as atividades de extração executadas pela Petrobrás na região geram mais de R$ 200 mil mensais de royalties do petróleo, mas que essa verba não é convertida para o povo. "No ano passado fizemos uma manifestação semelhante e até prometeram atender uma comissão nossa lá na sede. O encontro aconteceu, promessas foram feitas, mas nenhuma providência saiu do papel e mudou a nossa situação", lamentou. Até às 19h de ontem tentamos estabelecer contato com a Assessoria de Comunicação da Petrobras, mas nenhum das tentativas obteve êxito.
Em meio aos recorrentes impasses, os manifestantes não descartam a possibilidade de promover até o próximo dia 15 uma nova mobilização popular, inclusive com uma nova interdição da pista. Essa possibilidade é aprovada pela dona de casa Maria Helena que disse não suportar mais as falsas promessas. "A promessa da empresa (Petrobras) parece com a dos candidatos que passam aqui de dois em dois anos garantindo se empenhar para resolver o nosso caso. Esse ano nem passem aqui porque serão recebidos com protestos, e se por um acaso nada for feito até a semana que vem a gente vai fechar aqui de novo", avisou.
Outras manifestações – Já na rodovia SE 04, principal acesso da cidade, os moradores bloquearam a via em protesto contra desassistências nas unidades de saúde, precariedade no setor de turismo, constante insegurança e falta de qualificação na rede municipal e estadual de ensino. Reunidos na Rodovia Estadual João Bebe Água, nas proximidades da BR 101, os manifestantes utilizaram pneus e galhos de árvores para criar uma barreira de fogo e inviabilizar o fluxo de veículos na região por mais de duas horas. Paralela as reclamações junto à Prefeitura de são Cristóvão, a população aproveitou a oportunidade para denunciar uma possível devastação ambiental.
Esse foi o segundo ato público realizado na quarta cidade mais antiga do Brasil em menos de um mês. No último dia 12 de março os moradores já haviam bloqueado vias e criticado a prefeita Rivanda Batalha pela atual administração pública. De acordo com a líder comunitária Denise Santos Sá, é preciso que os órgãos estaduais e federais de fiscalização atuem mais constantemente no município a fim de evitar ações inconstitucionais que culminam no retrocesso do município. Diante da presença de agentes da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros, a manifestante informou que apenas nos atos públicos é possível avistar o trabalho das companhias de segurança.
"Foi feita uma manifestação não tem nem 20 dias e de lá pra cá nada melhorou. A falta de professores nas escolas e de médicos nos postos de saúde continua, e por incrível que pareça, só nos sentimos seguros nas manifestações porque tem polícia e os bandidos passam longe", afirmou. Já de acordo com a Associação de Moradores do Povoado Chica, a acessibilidade na cidade há mais de três anos encontra-se em uma situação caótica e este problema estaria contribuindo para que ambulâncias deixem de atender os chamados dos moradores. Para o servidor público João Carlos Aquino, é preciso que a administração municipal atenda ao pleito popular e inviabilize novos atos.
"Está tudo errado aqui. Não temos saúde de qualidade; as escolas funcionam dia sim, dia não; a bica, nosso principal ponto turístico, está abandonada; a violência e tráfico de drogas estão cada vez mais assustadores", lamentou. Durante toda a tarde de ontem a Prefeitura de São Cristóvão não se manifestou oficialmente quanto à série de denúncias.


