Milton Alves Júnior
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A variação de preços de combustíveis está contribuindo para que os motoristas realizem diariamente verdadeiras peregrinações em Aracaju. Com oscilações que variam entre R$ 0,21 por litro da gasolina, por exemplo, muitos consumidores temem a qualidade do produto comercializado com preços mais acessíveis e preferem pagar mais caro. No centro da capital sergipana, um posto de combustível repassa o litro de gasolina, apenas em dinheiro, por R$ 2,78; já em um posto instalado nas proximidades do farol da Orla de Atalaia o mesmo produto é comercializado por R$ 3. Nesse estabelecimento é permitido efetuar a compra inclusive com cheque pré-datado, porém o proprietário necessita de uma prévia análise bancária.
De acordo com Diego Ramos, gerente de um posto, a variação de valores vai de acordo apenas com as condições de pagamento ofertadas por cada estabelecimento. Essa argumentação do gestor se contextualiza diante de uma intensa fiscalização promovida no início do mês de junho por policiais civis lotados na Delegacia de Proteção ao Consumidor e ao Meio Ambiente (Deprocoma), em parceria com a Agência Nacional de Petróleo (ANP). O objetivo da ação era verificar se a qualidade dos combustíveis estava de acordo com o padrão estabelecido na legislação.
Para Diego Ramos, a qualidade de todos os produtos em 85% dos postos é semelhante. "Há alguns anos os órgãos responsáveis por essas vistorias estão intensificando as fiscalizações e a qualidade dos produtos melhorou muito. Não existe mais aquela grande quantidade de gasolina adulterada, por exemplo. O que muda é a forma de pagamento".
Conforme dados da Associação dos Postos de Combustíveis de Aracaju, a capital sergipana possui 72 postos devidamente legalizados, destes, 40 foram escolhidos aleatoriamente para serem fiscalizados. Ainda segundo Diego Ramos, a burocracia junto a empresas de cartões de crédito e alto número de inadimplentes no Estado de Sergipe contribuem diretamente para que os empresários cobrem menos, lucrem menos, mas não corram risco de possíveis prejuízos.
"Eu já tomei alguns calotes e por isso decidi, junto com meu sócio, a reduzir o valor do Álcool e Gasolina Comum e Aditivada. De fato o lucro é menor se comparado a outros postos concorrentes, mas de longe não temos a mesma dor de cabeça com consumidores que frequentemente praticam a arte do calote", disse. Devido ao leque de opções, alguns motoristas aprovam essa variação de preços e ressaltam a possibilidade em adquirir o produto nas diversas situações do mês.
Esse foi o caso da professora Núbia Borges que disse comprar gasolina com preços mais ‘abusivos’ no final de cada mês quando está perto de receber o salário. "Quando o dinheiro sai, eu pago a vista que é melhor por não acumular conta para o outro mês. Já no final de cada mês já corro para outro posto para comprar no cartão. Acho que essa tática vale a pena", disse.
Apesar dessa alteração envolvendo preço e condições de pagamento, existem exceções onde os consumidores podem comprar o produto com preços baixos e utilizando cartões de crédito. Quem alerta para essa oportunidade é o economista Jefferson Sampaio. Segundo ele, basta pesquisar e avaliar se é válida essa aquisição. "Não adianta o cidadão comprar no cartão achando que não vai pagar a conta. Não é porque não saca o dinheiro do bolso que aquela compra não deve ser paga. Já temos postos com preços mais baixos e que aceitam cartão, basta procurar e não se afundar em dívidas", afirmou.
Segundo dados recém divulgados pelo Boletim Sergipe Econômico feito em parceria do Núcleo de Informações Econômicas da Federação das Indústrias do Estado de Sergipe (FIES) e do Departamento de Economia da UFS, o preço da gasolina no Estado aumentou em junho 4,70% e é considerada uma das mais caras do Brasil. O produto comercializado em Sergipe possui um preço mais ‘salgado’ se comparado a estados como Minas Gerais, Paraná, Amazonas e Pernambuco, onde a diferença chaga a R$ 0,40 se comparado com a média sergipana que custa hoje R$ 2,879.


