Milton Alves Júnior
Em decorrência da longa estiagem no sertão nordestino, produtos alimentícios que naturalmente eram comercializados com preços abaixo de R$ 2 por quilo, agora não são encontrados nos mercados e feiras livres por menos de R$ 3,30, a depender da qualidade. Um desses casos é o tomate que teve um reajuste de 100% e hoje custa em média R$ 3,50. No supermercado chega a R$ 6,00 o quilo.
Já o inhame que foi reajustado em 200%, saltou de R$ 2 para R$ 6. De acordo com a Secretaria de Estado da Agricultura, a falta de chuva tem contribuído para que a cesta básica na região Nordeste fosse reajustada em 10%.
No estado de Sergipe, esse percentual foi de 13,59%, inferior apenas ao reajuste identificado no estado da Bahia que alcançou um pico histórico de 17,85%. Garantindo ter vendido menos nos últimos dois meses, o comerciante José Augusto Neves espera que as chuvas que estão caindo em Aracaju também sejam registradas no interior. "Os preços estão elevados e os consumidores comprando cada vez menos. Não é que não estamos vendendo nada, apenas a safra está baixa e com ela também está a procura. Espero que esse pouco de chuva também caia no sertão", disse.
Entre outros produtos que apresentaram vasta inflação, estão os tradicionais alimentos do povo nordestino como feijão, arroz e farina. Esse último teve um reajuste de 32,67%. No caso do arroz, o preço subiu em 12 de 18 capitais pesquisadas. A maior alta foi em Aracaju (14,17%), seguida por Florianópolis (13,68%). Esses dados foram apresentados pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).
Para a doméstica Maria Oliveira dos Santos, assim como os vendedores sergipanos, a população também espera ansiosa para que os preços comecem a cair ainda na primeira quinzena desse mês. "Como não podemos deixar que alguns alimentos faltem em nossas refeições, o jeito por enquanto é comprar, mas em menor quantidade. O que não dá é pagar mais de R$ 2,50 por um quilo da macaxeira. por exemplo. Espero que esse inverno seja de muita chuva", afirmou.
Entre os locais que comercializam esses tipos de produtos alimentícios na capital sergipana, o Mercado Albano Franco e a Central de Abastecimento de Aracaju apresentam os valores mais acessíveis devido a grande variedade. Porém, as facilidades de pagamento dos supermercados estão conquistando cada vez mais os consumidores.
"Esse é um grande problema que nós estamos enfrentando. Por causa dos altos preços muitos estão preferindo pagar mais, porém nos cartões de crédito. Aqui tem que ser à vista e isso até o momento também tem contribuído para a redução nas comercializações", lamentou a vendedora Janeide Simões que trabalha no Mercado Albano Franco há 12 anos.


