Preços disparam e causam surpresa

Milton Alves Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

Comerciantes do Mercado Albano Franco e da Central de Abastecimento de Aracaju (Ceasa) estão apreensivos com a baixa nas vendas registradas nos últimos dez dias. Paralelo à inflação histórica registrada no quilo do feijão – hoje comercializado em média por R$ 10, os tradicionais alimentos típicos dos festejos juninos que costumam alavancar a renda dos vendedores também apresentam preços que ‘doem no bolso’ e colaboram para afastar os consumidores. Sem muitas alternativas, o velho e tão utilizado bloco de fregueses novamente começa a ocupar as barracas. A meta é conquistar o consumidor e tentar fidelizar as compras para as duas últimas semanas de junho.
Mesmo diante da real possibilidade de receber um calote, há quem diga que esta medida é a melhor estratégia para não concluir o mês mais lucrativo do ano no vermelho. Moradora do município de Boquim, Elzia dos Santos, de 42 anos, lamenta a atual situação vivenciada por consumidores e comerciantes que se tornam reféns da alta taxa de juros cobrada pelo governo e por fornecedores que nesta época do ano tentam lucrar mais do que o normal. Vendedora de frutas e hortaliças há mais de 25 anos, a boquiense garante que nunca pagou tão caro para serviços básicos como logística e armazenamento dos produtos.
"Está tudo mais caro e os meus fregueses estão comprando bem menos. Eu achava que não enfrentaria problemas desse tipo igual aos anos de 2010 e do ano passado, mas infelizmente 2016 está nos surpreendendo de forma negativa e o jeito mesmo é arriscar. O bloquinho só faço para pessoas da confiança de minha família, mesmo assim, quem garante que vamos receber?", disse. Com exceção da uva e da acerola, todas as frutas registraram estabilidade ou aumento dos preços se comparado ao último final de semana de maio. Além do milho, da laranja e do tão comentado feijão – agora vilão da cesta básica, o tomate voltou a subir depois de seis meses de constante queda.
Neste final de semana é possível encontrar em alguns boxes instalados nos dois maiores centros de venda o quilo sendo revendido por até R$ 2,50. Nos últimos dois meses a variação de preço girava entre R$ 1,80 e R$ 2 a depender da quantidade e qualidade nutricional. A lata de um litro com amendoim produzido no município de Itabaiana tem sido comercializada por R$ 3,50, a depender do ponto de venda. Em locais mais distantes do mercado central a mesma quantidade do produto sai por até R$ 5. O saco com 100 quilos não é revendido por menos de R$ 160. Situação semelhante ocorre com a laranja. O saco – que chegou a ser encontrado por até R$ 14, hoje é revendido em média por R$ 20.
"Realmente as piadas que circulam por aí sobre deixar de comer feijão e optar apenas pelo arroz, ao menos pra mim é verdade. Eu costumo fazer compras aqui no mercado todos os sábados, ou em casos extremos na sexta-feira, e confesso que não lembro o dia que cheguei aqui e estava tudo mais caro. Meu São João e São Pedro vão ser com menos milho e mais economia", afirmou a funcionária pública Raquel Andrade. Apesar da contenção de gastos feita por aracajuanos, o economista Daniel Lemos garante que os preços devem voltar ao patamar normal. Ele exemplifica outras situações que provocaram surpresa por parte dos consumidores.
"Basta lembrar da época em que o quilo do tomate saltou de R$ 1,50 para quase R$ 13. Desta vez é o feijão e a laranja, por exemplo, mas é preciso ter cautela e buscar alternativas que ajudem a estabilizar as economias da casa sem provocar impacto financeiro. Diminuir a quantidade consumida desses alimentos é a melhor maneira para não se endividar, seja com o vendedor da barraca no centro da cidade ou nas grandes redes de supermercados", analisou.

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