Preços nas alturas

Consumidores que buscam realizar as compras de final de semana no mercado central de Aracaju estão se deparando com preços cada vez mais salgados em itens antes considerados de baixo valor comercial. Aparecendo como vilã da cesta básica formada por legumes, o quilo da cebola branca ou roxa não é comercializado no Mercado Albano Franco por menos de R$ 4,50. Se comparado com o mês de agosto do ano passado, o aumento foi de quase 120%; em agosto de 2014 o mesmo quilo do produto alimentício era comercializado em média por  R$ 2,10. Para muitos consumidores, tornou-se artigo de luxo gastronômico ter cebola em grande quantidade em vinagretes, ou abusá-la na hora de preparar alguma refeição.
Para a funcionária pública Helena Martins, apesar do aumento do preço da cebola, outros alimentos deram início a um processo de desvalorização comercial e isso tem colaborado para que o preço final da feira realizada não resulte em amplo aumento dos gastos. Com 46 anos de vida, e 33 de presença cativa em compras em feiras livres, a consumidora garante que todos os anos a venda de frutas e legumes apresentam situações que despertam a atenção do brasileiro. "Nós vivemos em uma balança. Enquanto no ano passado a cebola estava com o preço lá embaixo, o tomate era quem estava caríssimo e a gente evitava comprá-lo. O problema atual é que, nem sempre o tomate é usado para preparar refeições, já a cebola não. Ao menos eu uso em tudo que é comida e realmente está sendo difícil, mas essa fase vai passar", avaliou.
Baseando-se na indagação feita por Helena, e ao mesmo tempo compartilhando com o que fora dito por ela, é possível garantir que o gasto final permanece semelhante aos seis primeiros meses desse ano. O preço do tomate, que chegou a custar até R$ 9 em alguns supermercados de Aracaju, por exemplo, na manhã de ontem era possível encontrar por até R$ 1,80. Ciente que a prática da pechincha é uma das maneiras mais adequadas para evitar gastos acima do previsto, a consumidora Maria Angélica disse buscar comprar produtos sempre a um mesmo fornecedor devido a relação cordial que foi conquistada ao longo dos anos. Fugir dos preços altos às vezes é difícil, mas nada impede que bonificações agradem a ambas as partes.
"Eu sei que quanto mais barato, melhor, mas também temos que ter a consciência que não podemos abusar muito porque se não o feirante também não vai lucrar e isso não é bom. Temos que pensar no próximo também. O que acontece nesses casos é, por exemplo, eu comprar um quilo de um determinado produto e minha fornecedora me dar um quilo e cem, ou um quilo e duzentos. Isso ajuda a fortalecer a parceira e fidelidade entre cliente e vendedor", afirmou. Dando sequência aos preços de vegetais apresentados em média na manhã de ontem, o pimentão saía a três unidades por R$ 1,70; o quilo da batata era repassado por R$ 2; o quilo da cenoura era vendido em média por R$ 2,20; e o molho de coentro fresco era vendido por até R$ 0,70.
Ciente da valorização financeira de alguns alimentos, a vendedora Alba dos Santos confirmou o aumento abusivo no setor de legumes, mas garantiu que o Mercado Albano Franco e a Central de Abastecimento de Aracaju (Ceasa) são os dois únicos locais da capital sergipana que ainda conseguem repassar os produtos com preços semelhantes aos do interior do estado. Ela explica o motivo: "muitos que trabalham aqui, e esse também é o meu caso, moram no interior e de lá mesmo trazem os alimentos. Então o preço não sobe tanto, mas outros, no caso da cebola que pouco é produzida em Sergipe, não têm como combater a inflação e temos que passar o aumento para o cliente também".
Neste domingo, 09, o Mercado Albano Franco fica aberto das 7h às 12h. Amanhã o local é fechado para higienização e só será reaberto as 7h da próxima terça-feira, 11, quando segue em funcionamento até as 17h.

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