Cândida Oliveira
A possibilidade de aumento da passagem do transporte público para R$ 2,71 voltou a ser tema de discussão ontem, 20. Representantes do Movimento Não Pago realizaram ato no Terminal do DIA, na porta da Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito (SMTT) e do Sindicato das Empresas do Transporte Público (Setransp).
Além de serem contra o aumento da passagem, representantes do Movimento pede mais transparência no sistema de transporte público e a regularização do transporte alternativo, defendem também os trabalhadores rodoviários.
Segundo um dos representantes do Movimento Não Pago e estudante de mestrado em História, Cleidson Carlos, ano após ano a história se repete. "Os empresários do transporte inventam mil e um motivos para justificar o aumento do preço da passagem do ônibus, dessa vez não foi diferente. Nós, que usamos o transporte público diariamente, e os rodoviários somos quem mais sabemos o quanto o preço pago não condiz com a qualidade do serviço", reclamou.
Em junho do ano passado o Movimento Não Pago impetrou Ação Popular contestando o valor da tarifa, apresentando a existência de fraudes no seu cálculo como a inclusão de preços superfaturados de pneus e combustível, o pagamento de salários a cobradores-fantasma em micro-ônibus, além de salários superiores a 11 mil reais ao pessoal da segurança dos terminais. Segundo laudo técnico, se as fraudes fossem retiradas o valor correto da passagem seria R$ 1,92, muito abaixo do valor alegado pelo Setransp e pela própria Prefeitura de Aracaju. "Inclusive fomos ao Ministério Público, mas até o momento não obtivemos andamento do processo", denunciou.
Para obter a planilha deste ano, apresentada pelo Setransp à SMTT, mais uma vez representantes do Movimento foram à SMTT solicitar a planilha apresentada este ano pelo Setransp. "Fomos recebidos por dezenas de guardas municipais que impediram nossa entrada no órgão, e assim não tivemos como solicitar o documento", colocou Cleidson.
No Terminal do DIA não puderam realizar a ‘catraca livre’, ato em que os passageiros entram no terminal de integração sem pagar a passagem. "Lá também fomos recebidos por dezenas de guardas, que não permitiram nossa entrada para conversar com a população, nem que liberássemos a catraca", contou o representante do Movimento.
O assessor de comunicação da SMTT, Flávio Vasconcelos, disse não entender a manifestação, já que não houve acréscimo da tarifa. "O prefeito João Alves Filho avisou que o aumento da tarifa do transporte público não está na pauta de prioridades dele, pois houve reajuste a menos de um ano", informou. Segundo Flávio, assim como o prefeito, o superintendente da SMTT, Nelson Felipe, também não vê motivo para o reajuste neste momento. "Ele não vê argumento para o reajuste. E inclusive achou que o percentual solicitado pelas empresas de 15,8% está muito acima da inflação", contou o assessor.
Cleidson não acredita que o valor da passagem continue a mesma, que hoje é de R$ 2,35. "Este é um ano atípico, pois teremos eleições, então os políticos que têm apoio das empresas de ônibus devem reajustar a passagem".
No ofício enviado à SMTT, a partir da planilha de custos e cálculos tarifários, os empresários submetem à apreciação o requerimento de reajuste tarifário de R$ 2,35 para R$ 2,71, a fim de que se mantenha o equilíbrio econômico-financeiro, previsto não só na Lei Orgânica do Município, como na Lei 8.979/96 e no art. 175, § único, inciso III, da Constituição Federal.


