Gabriel Damásio
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A Polícia Civil apresentou ontem de manhã um homem acusado pela morte de Adilson Oliveira dos Santos, 45 anos, assassinado a pedradas e pauladas no dia 11 de março deste ano, em um sítio de sua propriedade no Loteamento Santo Inácio, povoado Várzea Grande, em São Cristóvão (Grande Aracaju). Segundo a polícia, o autor do crime é o ex-presidiário José Anderson Santos de Menezes, 28 anos, preso nesta quarta-feira em outro povoado de São Cristóvão, por policiais do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e do Grupamento Especial de Repressão e Busca (Gerb). Ele teve sua prisão preventiva decretada pela Vara Criminal da comarca local e já tinha uma condenação definitiva por assalto à mão armada.
O crime causou muita repercussão na cidade por vários fatos correlatos: a agressividade do ataque à vítima, o roubo de três pequenos porcos do sítio logo após o crime e o fato de o ex-detento ter sido ajudado pelo próprio Adilson. "As próprias pessoas do povoado ficaram revoltadas com o que havia ocorrido, porque o senhor Adilson costumava ajudar o Anderson, dava comida, dava abrigo… Algumas pessoas que conheciam o histórico de violência do Anderson orientavam que Adilson não fizesse mais isso, mas ele optava por continuar ajudando. As pessoas ficaram revoltadas, porque, a princípio, não havia qualquer motivo que justificasse tamanha violência. Agredir uma pessoa até a morte para subtrair três porcos é algo que choca até nós que trabalhamos com a violência no cotidiano", disse a delegada Rosana Freitas, da 5ª Divisão do DHPP.
De acordo com Rosana, nenhum motivo aparente foi apresentado para que Anderson assassinasse o sitiante. Testemunhas disseram à polícia que o acusado invadiu a propriedade armado com uma pedra e um pedaço de pau, e atacou Adilson com vários golpes na cabeça, até que ele ficasse bastante ferido. Em seguida, ele pegou os animais, colocou-os em uma sacola e depois os vendeu já mortos em uma avenida na zona oeste de Aracaju. Este fato foi o suficiente para que Anderson fosse indiciado pelo crime de latrocínio (roubo seguido de morte).
Ainda conforme o relato da delegada, o próprio Anderson espalhou a notícia do crime pela comunidade do Santo Inácio. "Depois que matou o seu Adilson, o Anderson divulgou isso no povoado, e nem disse o porquê. Passou por estabelecimentos comerciais, pelas casas dos parentes e dos vizinhos, e disse: ‘Olhe, eu acabei de matar o Adilson. Vão lá ver o que eu fiz com ele’. E quando os parentes foram à propriedade, o seu Adilson ainda estava vivo, mas agonizando e apesar das tentativas de socorro, acabou falecendo", conta Rosana, baseando-se nos depoimentos de vizinhos, familiares e muitos moradores do povoado que procuraram a polícia. "A vítima era uma pessoa de bem, que ajudava as pessoas. Por conta disso, várias delas colaboraram de imediato com a investigação, informando que quem cometeu o crime foi o Anderson", completou.
Para Rosana, a participação das testemunhas também foi importante na localização do acusado, mas houve dificuldades no levantamento de informações sobre o foragido, que segundo a polícia, chegou a frequentar quatro lugares diferentes de São Cristóvão e de Aracaju. Apesar disso, o DHPP garante que toda a investigação foi concluída dentro do prazo de 30 dias, graças ao apoio da população.
Defesa – Ao ser apresentado ontem, José Anderson demonstrou frieza e indiferença ao conversar com os jornalistas. Ao JORNAL DO DIA, ele admitiu que matou Adilson Oliveira, mas deu outra versão: a de que a própria vitima teria começado a briga porque não queria vender-lhe os porcos do sítio. "O aniversário da minha filha foi no dia 13 de março. Aí eu falei pra ele [a vítima] comprar um porquinho pra ela. Ele disse que era 100 reais e eu deixei lá. Na hora que eu fui pegar o porco, ele não quis me dar, queria me dar outro menor. Fui e peguei [o porco comprado], na frente de todo mundo e vim. Aí, ele veio com um pau, querendo me dar uma cacetada. Eu virei, joguei o porco no chão e entrei em briga com ele", justificou.
O acusado negou ainda ter dado pedradas na cabeça do sitiante e nem ter causado a morte dele, mas admite que usou o pedaço de pau. "Só foi uma paulada e eu deixei ele vivo. Depois deram um banho nele lá e acabaram matando", justifica Anderson, que igualmente negou ter roubado os porcos da propriedade da vítima. "Eu não preciso roubar nada e nunca precisei disso, porque sou trabalhador. E todo mundo da comunidade sabe, é porque agora eles querem me prejudicar", disse Anderson.
Ao ser perguntado sobre o fato de ter sido ajudado por Adilson antes de mata-lo, o ex-detento tentou desqualificar a vítima. "Não consta nada disso. Na verdade, ele não era um homem [bom]… um cabra (sic)… se ele fosse, não tinha acontecido isso não", afirma o detento, que afirmou aos repórteres que estava arrependido do crime, mas sem qualquer sentimento. A própria delegada Rosana Freitas também não se convenceu desta versão. "Ele não demonstra nenhum tipo de arrependimento, mas se recusa a falar sobre o fato e me disse que só vai se pronunciar em juízo", resumiu.


