Gabriel Damásio
A Polícia Civil procura o segundo responsável pelo assassinato do petroleiro aposentado José Augusto da Silva, 82 anos, morto em 19 de novembro deste ano, dentro da própria residência, no Conjunto João Alves, em Nossa Senhora do Socorro (Grande Aracaju). Este suspeito, segundo informações extra-oficiais, seria um adolescente e foi o responsável pelos três tiros de revólver que mataram o idoso, que era cadeirante e morreu sem qualquer chance de defesa. A identidade dele não foi revelada, mas a polícia garante estar próxima de prendê-lo.
Já o primeiro responsável pelo crime é o mototaxista Clebson Leal dos Santos, 33, preso anteontem no povoado São José, em Poço Verde (Centro-Sul). O acusado estava escondido na casa dos pais, que foi cercada pela polícia, e não reagiu à prisão. Ele foi encontrado após informações passadas através do Disque-Denúncia (181). Clebson é marido de uma das empregadas que trabalhavam para José Augusto e tinha livre acesso à residência porque também fazia serviços de manutenção de computadores.
Ontem, ele foi apresentado à imprensa na Superintendência da Polícia Civil (Supci) e admitiu ter participado do crime, mas alegou que foi coagido pelo comparsa foragido a participar do assalto. Esta coação teria acontecido, segundo o acusado, durante uma festa em que participou na casa do aposentado, dias antes do latrocínio. "Esse rapaz estava lá na festa e disse que precisava voltar lá pra buscar algumas coisas. E falou que se eu não fosse com ele ou tentasse qualquer graça, iria pegar a minha mulher", argumentou o preso.
A versão não convenceu a polícia, que atribui a Clebson a culpa pelo planejamento do assalto. "O Clebson planejou todo o crime, deu informações da casa ao comparsa, providenciou a arma para ele e participou ainda da execução do assalto, dando acesso ao parceiro. As investigações demonstram isso", assegura o delegado Ademir Melo, da 5ª Delegacia Metropolitana (Cj. João Alves). Ele também explica que, "no dia do crime, Clebson foi até a casa do idoso e se apresentou sozinho para a esposa, dizendo que precisava entrar para trocar o cartucho de uma impressora", enquanto o comparsa ficou escondido em uma porta vizinha. "Assim que a porta foi aberta, o segundo homem entrou atrás do Clebson e os dois anunciaram o assalto, rendendo as funcionárias", acrescenta.
Da casa, foram roubados R$ 1.700 em dinheiro e alguns telefones celulares. No meio do assalto, José Augusto foi surpreendido na cozinha, quando tomava um lanche, e levou três tiros no peito, morrendo sem qualquer chance de defesa. De acordo com o delegado, os tiros foram dados pelo suposto adolescente, que por sua vez, teria sido instigado a matar pelo mototaxista. "Estamos aprofundando ainda as investigações sobre o motivo, mas a hipótese mais provável é de que havia uma relação de ciúme por parte de Clebson em relação à esposa. Não era necessariamente do seu Augusto, mas era de todos os que se tinham contato com ela", suspeita Ademir.
Policiais ouvidos pelo JORNAL DO DIA acrescentam que, enquanto esteve foragido, o acusado passou por várias cidades, mas chegava a telefonar e mandar mensagens de texto para a esposa com um celular com código de chamada 75 (da região de Feira de Santana, na Bahia), ameaçando matar a ela e ao filho caso fosse denunciado à polícia. Clebson negou as ameaças, mas admitiu que tinha ciúmes. "Só ficava chateado porque ela chegava tarde em casa. Não tinha ciúme nem do seu Augusto, porque era o emprego dela", se defende, dizendo ainda que "quem mandava mais em casa era ela".
Ademir Melo descartou ainda qualquer participação da esposa do mototaxista com o crime. "Não há nenhuma evidência de que ela tenha colaborado com Clebson. Quando ela abriu a porta para o marido no dia do crime, ela não sabia que aconteceria um assalto naquele momento", assegura o delegado. O acusado será indiciado pelo crime de latrocínio e pode ser condenado a 30 anos de prisão.


