Em março de 2018, como parte do plano de desinvestimentos e saída da companhia do setor de fertilizantes, a Petrobras havia anunciado o fechamento de suas Fábricas de Fertilizantes Nitrogenados (Fafens), localizadas nos municípios de Camaçari-BA e Laranjeiras-SE. Em janeiro de 2019, as fábricas foram hibernadas e, em 2020, arrendadas para o grupo privado Unigel. As unidades chegaram a ser operadas pela empresa até 2023, quando o grupo decidiu paralisar a produção das duas fábricas, sob a justificativa de inviabilidade econômica pelo preço do gás natural. Em 2025, após acordo com a Unigel, a Petrobras reassumiu a posse das Fafens e as unidades tiveram suas operações retomadas.
A Fafen-SE, visitada pelo presidente Lula nesta sexta-feira, voltou a produzir amônia em dezembro de 2025 e iniciou a produção de ureia em janeiro de 2026. Iniciativa do Novo PAC, teve investimentos para reinício da operação que somam cerca de R$ 60 milhões até o momento. A planta da Fafen-SE tem capacidade de produção de 1.800 toneladas diária de ureia, o que representa aproximadamente 7% da demanda nacional. A retomada da Fafen-SE já gera 530 empregos diretos e cerca de 1.500 empregos indiretos. Com a retomada da produção e comercialização de fertilizantes, a Petrobras reafirma seu compromisso com a soberania nacional.
Magda Chambriard destacou que os investimentos na Fábrica de Fertilizantes e Nitrogenados de Sergipe permitirão atender parte importante da demanda nacional. Os fertilizantes nitrogenados são insumos essenciais para o rápido crescimento e desenvolvimento das plantas, fornecendo nitrogênio para a formação de proteínas e clorofila. “A Fafen daqui vai produzir 7% da demanda de fertilizantes nitrogenados do Brasil, porque fomos capazes de ampliar a produção de gás natural, de fazer uma unidade de processamento de gás natural de grande porte, de aumentar a disponibilidade de gás que era para o mercado de R$ 29 milhões para R$ 52 milhões.”
“E foi isso que fez que o gás natural caísse de preço e permitisse a viabilidade econômica dessas plantas de fertilizantes. O que baixa o preço do gás natural, o que permite fertilizantes, o que permite esses insumos, é um investimento sério em prol da sociedade brasileira”, prosseguiu.
A presidente da Petrobras revelou ainda que a empresa trabalha em uma série de estudos que visam, a médio e longo prazo, permitir que o Brasil se torne autossuficiente no setor de fertilizantes nitrogenados. “Com esses estudos, nós enxergamos que podemos, nesse quinquênio ainda, mas isso depende dos estudos do pessoal de refino, trabalhar para que o Brasil, aproveitando o aumento da produção de gás natural proporcionado pela Petrobras, consiga chegar a cerca de 70%, 75% dos fertilizantes nitrogenados que o Brasil precisa, pelo menos. Nossa meta vai ser buscar a autossuficiência de fertilizantes nitrogenados”, afirmou Magda Chambriard.
Retomada – A Petrobras está em processo de retomada nos últimos anos, depois de um período de desinvestimentos no Nordeste. Em Sergipe, por exemplo, houve a venda da totalidade de campos terrestres na região, hibernação das plataformas marítimas de águas rasas e arrendamento da Fafen-SE. Com a adoção de novos direcionamentos, a partir de 2023, a companhia retomou os investimentos. Em 2026, consolida a retomada com o regresso à operação da Fafen-SE, o descomissionamento de plataformas marítimas e o desenvolvimento do projeto Sergipe Águas Profundas (SEAP), nova fronteira de óleo e gás no Brasil.
A Petrobras aprovou em abril a Decisão Final de Investimento (FID) do projeto SEAP I, de exploração e produção de petróleo em águas profundas na Bacia Sergipe-Alagoas, no litoral nordestino. O projeto Seap II já havia sido aprovado em dezembro de 2025. Juntos, os dois planos somam R$ 60 bilhões em investimentos. A viabilização dos projetos SEAP I e SEAP II é fruto de um conjunto de iniciativas conduzidas em parceria com o mercado fornecedor, com destaque para otimizações de engenharia e revisão de condições contratuais, que ampliaram a atratividade econômica dos empreendimentos.
Produção em 2030 – O início da produção de óleo está previsto para 2030, com exportação de gás a partir de 2031, representando um retorno econômico significativo para a Petrobras, e contribuindo de forma relevante para o aumento da produção nacional de petróleo e gás. A expectativa é que a participação do Nordeste na oferta nacional de gás natural quase dobre, saindo dos atuais 16% e atingindo 31% até 2035.
O projeto tem arrecadação estimada de R$ 33 bilhões em participações governamentais diretas em 20 anos. Além das duas plataformas, o empreendimento prevê a construção e interligação de 32 poços, bem como a implantação de um gasoduto de escoamento com cerca de 134 km de extensão – sendo 111 km em trecho marítimo e 23 km em terra.
Já está em andamento a licitação para o fornecimento de ANMs (Árvores de Natal Molhadas) e equipamentos submarinos para os dois projetos. Está previsto, ainda em 2026, o início das licitações para as demais infraestruturas.
A árvore de natal molhada é um equipamento fundamental para a segurança da extração do petróleo. Ela é instalada com a ajuda de mergulhadores ou veículos robotizados de operação remota, no caso de águas mais profundas, e faz a ligação entre o sistema submarino de produção e o poço de petróleo.
Por meio da ANM, o operador do poço pode abrir e fechar válvulas, respondendo a mudanças de pressão, vazão e temperatura, garantindo a movimentação segura do óleo. Caso aconteça algum problema, a ANM também é uma primeira linha de defesa, já que suas válvulas se fecham, e suportam a pressão até certo ponto, em caso de vazamento.
Descomissionamento – Em Sergipe, há ainda atuação da companhia voltada ao descomissionamento de 26 plataformas de petróleo em águas rasas. O processo, iniciado pela Petrobras no final de 2025, movimentará cerca de R$12,5 bilhões até 2035. O processo abrange o tamponamento (vedação) de 169 poços e remoção de estruturas, com foco em águas rasas, gerando cerca de 950 empregos diretos e demandas na cadeia de suprimentos local.
Também em Sergipe, o Porto de TMIB (Terminal Marítimo Inácio Barbosa) consolida-se como um ativo logístico estratégico para a Petrobras, sustentando todas as fases dos projetos de instalação, comissionamento e operação das plataformas. Desempenha papel essencial nas atividades de descomissionamento das plataformas.
Sua infraestrutura vem sendo fortalecida e recentemente foi ativado um novo berço dedicado às operações da companhia, ampliando a capacidade e a flexibilidade operacionais. O terminal também avança com um conjunto de novos investimentos estruturantes, voltados a suportar as demandas atuais e de futuros negócios e de toda a cadeia de fornecedores associada a esses projetos.


