Gabriel Damásio
A Polícia Civil anunciou ontem a conclusão do inquérito policial que apurou a morte do professor Adalgisio Barbosa Mendonça, 41 anos, cujo corpo foi encontrado no último dia 12 de janeiro, dentro de um dos quartos da pousada Mega Opção, na Avenida São Paulo, bairro Siqueira Campos (zona oeste da capital). A investigação, conduzida pelo Departamento de Homicídios e Proteção a Pessoa (DHPP), descartou completamente a tese de que o professor teria sido assassinado no local. A conclusão se baseou no laudo cadavérico feito pelo Instituto Médico Legal (IML), o qual apontou que a causa da morte de Adalgísio foi uma "hemorragia pulmonar".
A delegada Rosana Freitas, da 5ª Divisão do DHPP, disse que a hemorragia pode ter sido provocada pela possível ingestão de alguma substância, o que lhe foi explicado pessoalmente pelo perito do IML que fez o exame cadavérico. Três hipóteses foram colocadas: uso de estimulantes, de drogas ou de medicamentos. No entanto, isto só será desvendado com a conclusão do exame toxicológico feito em amostras do corpo do professor. Segundo ela, a demora se deve ao fato deste exame ainda não ser feito em Sergipe, por falta de profissionais.
"Nós ainda temos uma deficiência no estado em relação ao exame toxicológico. É algo que possivelmente será resolvido agora, com a nomeação dos peritos [concursados da Cogerp], e talvez a gente consiga agilizar esse laudo, que é o último restante, pra que a gente possa definir qual substância provocou essa hemorragia", afirmou. Apesar desta dúvida, a delegada confirma que a hipótese de homicídio foi descartada, pois o laudo no corpo do professor não apresentou sinais de violência. "Não se tratou de uma morte violenta. A vítima não apresentava lesões, nem sinais de sufocamento ou asfixia que pudessem caracterizar um homicídio", garantiu.
Além dos exames, também foi decisivo o depoimento da pessoa que estava com Adalgísio no quarto da pousada quando ele morreu. Trata-se um rapaz de aproximadamente 25 anos, que foi identificado a partir de imagens gravadas por câmeras de segurança de uma loja no Centro de Aracaju, onde o rapaz teria tentado vender o celular do professor. A polícia preferiu não divulgar a identidade do jovem, para preservar a intimidade da família da vítima, mas confirmou que os dois envolvidos se conheceram ocasionalmente.
De acordo com Rosana, o acompanhante confirmou que fugiu da pousada com o carro do professor, um Ford Focus, e acabou derrubando o portão da pousada durante a fuga. Ele admitiu em depoimento que fez isso por medo de ser incriminado como assassino. "A pessoa foi ouvida, confessou que de fato estava na pousada com o professor e apresentou uma versão condizente com os resultados dos laudos periciais. Durante as práticas sexuais, o professor apresentou uma insuficiência respiratória. Teve falta de ar, os lábios esbranquiçados… e isso acabou gerando a morte dele. Ele informou que ficou bastante nervoso com a morte, pois ele tinha certeza de que, até que a causa fosse esclarecida, essa morte seria atribuída a ele", relatou a delegada.
O Ford foi encontrado dois dias depois do incidente, no estacionamento de um condomínio próximo à BR-235, no bairro Olaria (zona oeste). No quarto da pousada, não foram achadas impressões digitais do suspeito, pois ele procurou não tocar no corpo ou nos objetos do professor. No entanto, peritos e papiloscopistas da Força Nacional de Segurança, que também trabalharam no caso, levantaram pontos de coincidências entre as impressões do jovem e as digitais achadas no volante do Focus. Ainda segundo a delegada, o suspeito alegou em seu depoimento que a venda do celular e o encontro com o professor se deram por questões financeiras.
Rosana Freitas informa que o acompanhante não vai responder pelo crime de homicídio, mas foi indiciado pelos crimes de furto – por ter fugido com o carro e o celular de Mendonça, além de vender o aparelho – e dano – por ter derrubado o portão da pousada e danificado a frente do Focus. "Como não se trata de um homicídio, dificilmente a legislação autoriza prisão preventiva. Por isso, ele irá responder ao processo em liberdade", acrescentou a delegada.


