Cândida Oliveira e Gabriel Damásio
É considerado gravíssimo o estado de saúde do professor Carlos Christian de Almeida Gomes, 31 anos, que foi baleado na noite de anteontem, em uma sala da Escola Estadual Professora Olga Barreto, no Conjunto Eduardo Gomes, em São Cristóvão (Grande Aracaju). Ele foi atingido por cinco tiros de revólver no tórax, na boca e nas costas, próximo à coluna. Internado no Hospital de Urgência de Sergipe (Huse), ele passou por uma cirurgia horas depois do ataque e depois internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
Segundo a direção do Huse, o professor apresentava instabilidade hemodinâmica, estando em uso de medicação vasoativa, sedado e respirando por aparelhos. Ainda não se sabe sobre sequelas advindas da lesão raquimedular, que somente poderão ser diagnosticadas após estabilização do quadro clínico e exames específicos, previstos para manhã de hoje. Este quadro se mantinha até o fechamento desta edição.
O crime aconteceu no começo da noite de anteontem, quando o professor tinha acabado de chegar à escola. Segundo testemunhas, um adolescente de 17 anos, aluno da 8ª série da modalidade Educação de Jovens e Adultos (EJA), invadiu a sala dos professores e iniciou uma discussão, reclamando de uma nota baixa que havia recebido na prova de Biologia. No meio da discussão, o menor sacou um revólver e fez cinco disparos, ferindo gravemente o professor. O clima ficou bastante tenso entre alunos e professores, que entraram em pânico e correram para se proteger. Em meio ao tumulto, o adolescente fugiu.
Um bombeiro civil que estava próximo à escola prestou o realizou o primeiro atendimento. "Ele estava consciente, os policiais que estavam ao lado fizeram perguntas que ele conseguiu responder e contou que o aluno pediu para entrar na sala e beber água e aproveitou para efetuar os disparos enquanto ele estava de costas", detalhou o bombeiro Everton Oliveira. Uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi chamada e fez o segundo atendimento, encaminhando Carlos ao Huse.
O motivo apontado para a tentativa de homicídio impressionou a alunos e professores pela gratuidade de tamanha violência. "Ele alegou, conversando com a coordenadora que o professor não tinha colocado na prova o assunto que ele tinha estudado. E achou que foi prejudicado. De repente, ele tomou essa atitude. É lamentável se chegar a este ponto e todos nós estamos sem entender porquê. Não esperávamos essa agressão absurda da parte dele", disse a professora Cláudia de Oliveira, colega de trabalho de Christian.
Polícia – Após o atentado, policiais civis e militares estiveram no local para levantar as primeiras pistas. Buscas chegaram a ser feitas na casa do adolescente suspeito, que fica próxima à Olga Barreto, mas ele não foi encontrado, nem o revólver usado no incidente. O caso foi assumido pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), que deve ouvir depoimentos de testemunhas a partir de hoje. Entre eles, estão os pais do menor, alunos da unidade de ensino e colegas de trabalho da vítima. "Nós apelamos ao bom senso da família para que eles entrem em contato com o menor e fazer com que ele nos seja apresentado", afirmou a diretora do DHPP, delegada Thereza Simony Silva.
Dentro da escola, o estudante que fez os disparos era visto como um rapaz tranquilo, mas que frequentava pouco as aulas. "Esse aluno tem dois anos que estuda na escola e a gente nunca teve nenhuma objeção ao comportamento dele. Era um estudante que faltava muito às minhas aulas, por conta talvez dos horários, que por serem avançados, ele saía mais cedo ou chegava mais tarde. Mas eu nunca tive qualquer problema com ele", lembra Cláudia, acreditando que ele pode ter sido influenciado por más companhias. "Temos notícias agora de que, quando ele entrou na sala dos professores, ele estava acompanhado por mais dois [alunos], e talvez eles tenham influenciado a ele para cometer isso", disse a professora.


