Professor em greve desiste de algemas

Vencidos pelo cansaço, professores da rede estadual que se encontravam algemados por conta própria há mais de dez dias no Palácio Governador Augusto Franco, em Aracaju, decidiram na manhã de ontem retirar os objetos e doá-los para o Ministério Público Federal (MPF). Na avaliação da direção do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado de Sergipe (Sintese), é preciso que o Governo do Estado comece a estudar o pleito da categoria antes que a greve, que é por tempo indeterminado, permaneça afastando 12 mil professores das salas de aulas, e mais 170 mil estudantes.

Nesta quinta-feira a paralisação dos professores contabiliza 18 dias de interrupção das aulas e já foi suficiente para gerar uma série de situações pró e contra os trabalhadores. A greve foi decretada ilegal e gera uma multa de 10 mil reais para cada dia de descumprimento.
"Podemos perceber que a justiça está mais interessada em analisar as nossas denúncias. Infelizmente essa é a nossa realidade e precisamos muito do apoio do TJ para que essas dificuldades não continuem prejudicando o trabalho do professor", disse.

Apesar da retirada das algemas, a direção do Sintese garante que permanecerá ocupando as dependências do Palácio dos Despachos até que o governador Jackson Barreto inicie um debate quanto as reivindicações da categoria. Mostrando-se insatisfeito com a postura adotada pelo sindicato dos professores, o chefe do executivo estadual pediu ‘flexibilidade’, ao menos, neste período de crise mundial. "É preciso que o Sintese e os demais sindicatos entendam a dificuldade vivenciada por todos os estados brasileiros, e também por muitos países. Precisamos trabalhar em conjunto, e não de forma individual. Infelizmente se não houver disposição para flexibilizar essas reivindicações ficará difícil entrar em acordo", destacou.

Ainda de acordo com o governador, é preciso que a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) seja respeitada. "Isso não quer dizer que o piso não será pago, mas apenas nesse momento não podemos atender a esse pedido dos professores com essa única forma que eles apresentam para o governo. Minha mãe foi professora e sei da importância de todos para o progresso dos nossos estudantes, mas não posso deixar de ressaltar também a importância de um bom diálogo para buscarmos juntos mais avanços para Sergipe", destacou Jackson Barreto.

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