Professores engajados no Sindicato dos Profissionais do Ensino do Município de Aracaju (Sindipema), filiado à Central Única dos Trabalhadores (CUT/SE), realizaram uma mobilização em frente à Escola Municipal de Ensino Fundamental Olga Benário, no bairro Santos Dumont, na quinta-feira, 12.
A mobilização foi impulsionada pela violência nos arredores da escola, a falta de professores, de vigilantes e de uma estrutura mínima para seu funcionamento.
Presidente do Sindipema, o professor Adelmo Meneses Santos apontou o recente sequestro de uma das professoras da escola como exemplo da falta de estrutura mínima para trabalhar. "Na EMEF Olga Benário falta professor, estrutura de trabalho, falta porteiro… Além desta situação alarmante que todos sabemos, fomos surpreendidos pela decisão da Secretaria Municipal de Educação de culpabilizar a diretora da escola, a professora Claudeíde, por todos os problemas da escola, afirmando que ela não soube utilizar o recurso repassado. Isso é uma inverdade. O recurso foi sim aplicado devidamente, mas nenhum diretor tem poder para contratar porteiro, ou contratar professor… Sabemos que o recurso que chega é mínimo e estritamente destinado para reparos, consertos, fins específicos. Portanto, a resolução dos problemas da EMEF Olga Benário depende de apoio e vontade política da Secretaria da Educação".
O professor Dilson Oliveira, de Educação Física, protestou contra a indiferença da Prefeitura de Aracaju que não tomou nenhuma providência após a violência sofrida pela professora, e os casos de assaltos nas redondezas da escola continuam, criando um clima de pânico entre pais e estudantes. "A professora vítima de sequestro não recebeu sequer um telefonema de ninguém da Secretaria de Educação. Essa é a forma como eles tratam a EMEF Olga Benário com total indiferença aos educadores, estudantes e pais".
O professor Polivalente Adonis Melo da Silva relatou que trabalha numa situação de susto e medo constante. "É desestimulante presenciar tanto desdém com a educação pública".
A moradora Maria Bonfim Nascimento, mãe de quatro filhos que estudaram em escola pública, garantiu que o protesto dos professores ganha eco na comunidade. "Conheci uma época em que a educação pública tinha mais atenção, era mais respeitada. As escolas públicas estão se acabando.", concordou.
O professor Adelmo garantiu que o sindicato vai seguir com sua agenda de mobilização aprovada em assembleia geral com o objetivo de dialogar com as comunidades escolares e denunciar as escolas da rede municipal que estão enfrentando problemas sérios, demandando visibilidade e providências concretas. "Pais e estudantes denunciaram esta situação da Escola Olga Benário, o sindicato compreende esta situação e junto à CUT presta seu apoio. A CUT é uma parceira neste momento em que os professores estão vivenciando diferentes formas de perseguição, autoritarismo e medidas que não ajudam em nada a melhorar o quadro das escolas em estado de abandono".


