Professores fazem protesto em frente à Prefeitura de Aracaju

Milton Alves Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

Professores da rede municipal estiveram ontem em frente ao Centro Administrativo Aloísio Campos, sede da Prefeitura de Aracaju, com o propósito de exigir do prefeito João Alves Filho melhores condições de trabalho, qualificação imediata nas estruturas físicas das instituições educacionais, ampliação da segurança e melhores salários. Paralelo a estas pautas, os manifestantes aproveitaram a ocasião para protestar contra os atrasos dos pagamentos salariais de docentes ativos e aposentados. Cerca de 200 servidores participaram do ato público que foi coordenado pelo Sindicato dos Professores do Município de Aracaju (Sindipema), e pela Central Única dos Trabalhadores (CUT).

Por volta das 8h o grupo de educadores lamentava a atual situação vivenciada pela educação pública municipal e garantia que desde novembro do ano passado os professores estão sofrendo com os atrasos registrados a cada final de mês. Para Adelmo Menezes Santos, presidente do Sindipema, é primordial que o prefeito entenda o pleito apresentado pela categoria e convide uma comissão de docentes para debater, inclusive, o pagamento retroativo ao piso do magistério referente aos meses de janeiro a abril deste ano. Na tentativa de acelerar as reivindicações, o Sindipema buscou apoio da Câmara de Vereadores para que os parlamentares interviessem em prol dos profissionais em educação. Até o início da noite de ontem nenhuma resposta positiva foi apresentada à categoria.

"Como todos sabem, nós tivemos o piso repassado com reajuste desde maio, mas é lei que ele seja incorporado desde janeiro passado. Infelizmente o prefeito João Alves ainda não nos repassou esse direito e estamos aqui aguardando uma possível resposta para esse problema. Se viemos aqui para frente da sede administrativa é porque chegamos ao nosso limite de espera. Queremos participar de mesas de negociação e nem isso a prefeitura nos convoca", lamentou o presidente. Conforme estatística do sindicato, atualmente 2.723 professores compõem o quadro funcional de docentes nas escolas municipais, e muitos, devido ao atraso salarial, são obrigados a pedir dinheiro emprestado a amigos e parentes para quitar dívidas.

Esse é o caso da aposentada Maria Elze dos Santos que disse não suportar mais as ações de retrocesso realizadas pelo governo municipal. Mesmo se auto avaliando com idade já avançada para participar de movimentos sindicais, aos 68 anos de idade decidiu ir às ruas para pressionar o prefeito e respectivos secretários. "Infelizmente estamos vivenciando um momento triste da nossa democracia, na qual direitos trabalhistas conquistados com tanto esforço simplesmente não possuem mais força jurídica. Desde novembro do ano passado recebemos com atraso; nosso retroativo não sai, e a justiça não interfere. Os vereadores, mesmo de apoio a João, deveriam apoiar nossa causa, mas não fazem isso. O povo só terá vez no ano que vem durante as eleições municipais", afirmou.

IFS – Na manhã de ontem servidores do Instituto Federal de Sergipe também estiveram reunidos para protestar contra a falta de avanços no pleito que envolve a revisão salarial e 30h horas semanais de trabalho. Diante da falta de entendimento entre gestores públicos e classe trabalhadora, uma greve já se estende há mais de 45 dias, e segue por tempo indeterminado. O ato público contou com o apoio do Sindicato dos Técnicos da Universidade Federal de Sergipe (Sintufs). "Apoiamos este movimento porque todos nós somos trabalhadores da educação e enfrentamos a mesma situação, eles estão lutando por maior democracia no Instituto Federal de Sergipe. Todo esse pleito é similar ao nosso, por isso estamos aqui dando apoio", informou Lucas Gama.

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