PROTESTO DEVE FECHAR RODOVIA

Monique Oliveira
moniqueoliveira@jornaldodiase.com.br

Revoltados com a falta de apoio do Governo de Sergipe com relação a intermediação com o Banco do Nordeste para liberação do crédito de emergência para minimizar a seca, mais de mil trabalhadores rurais da região Sertão vão fechar na manhã de hoje, 9, a rodovia SE-175, conhecida como Rota do Sertão, com ossadas de animais mortos e pneus como forma de protesto.  

Eles prometem só deixar o local quando tiverem uma garantia da liberação do recurso para os sertanejos dos assentamentos e povoados de Poço Redondo, Canindé do São Francisco, Porto da Folha e outras cidades que sofrem com a seca. A concentração será no assentamento Queimada Grande, a partir das 7 horas, mas garantem que o ato será pacifico.

De acordo com o presidente da Associação dos Trabalhadores do Assentamento da Barra da Onça, Gilvan Alves, as cestas de alimentos e a água distribuída pelo Exército e Defesa Civil, não estão sendo suficientes para atender as necessidades dos sertanejos.

"Só em Poço Redondo temos mais de sete mil famílias passando fome e sede. Não entendo o porquê de a Prefeitura aceitar a justificativa do Ministério Público e da Seides que as outras comunidades, só porque tem encanação, mas não tem água, não podem receber a água do Exército e nem as cestas de alimento. Essas mais de 2.600 cestas não são suficientes nem para amenizar o sofrimento dos sertanejos. Além disso, alguns agricultores não tiveram o benefício liberado pelo banco. Esse dinheiro minimizaria o sofrimento porque os agricultores poderiam pagar as contas no comércio e comprar ração para os animais", afirmou o trabalhador.

Gilvan Alves relatou que essa é a pior seca dos últimos tempos, onde a sede de Poço Redondo e assentamentos como Barra da Onça, Queimada Grande, Rancho Velho, Risada, Monte Alegre Velho, Novo Paraíso, Areias e todos que ficam às margens do Rio São Francisco estão sobrevivendo em situações desumanas. Além desses, 65 famílias da comunidade Berro Grosso, na divisa com o estado da Bahia, estão passando fome e sede.

"Os que conseguiram salvar alguma coisa são os do assentamento Santa Rosa, mas hoje estão sofrendo porque não conseguem água para misturar na ração que conseguiram", lamentou o agricultor, acrescentando que os únicos que estão sobrevivendo são os funcionários da Prefeitura de Poço Redondo, aposentados e aqueles que têm o Bolsa Família por deixar de comprar comida  para comprar ração para os poucos animais que restam, pois, segundo Gilvan Alves 75% dos animais já morreram.
"Aqueles que tinham 30 cabeças de gado hoje só tem cinco. Quem está passando bem são os cachorros e urubus. Estou aqui (ontem pela manhã) na Secretaria de Agricultura de Poço Redondo e tem mais de 200 pessoas na fila para pedir água", finalizou.

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