Protesto força secretário de Saúde a negociar

Milton Alves Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

Usuários do Sistema Único de Saúde (SUS), em Aracaju, se acorrentaram ontem ao portão do Posto de Saúde Hugo Gurgel, no bairro Coroa do Meio. Segundo eles, ao longo dos últimos três anos a unidade vem apresentando demora na realização de consultas e exames. No limite extremo da paciência, decidiram se acorrentar na entrada principal da UPA na tentativa de chamar a atenção do poder judiciário para o descaso denunciado. Os pacientes ficaram presos às grades por mais de duas horas.

Enquanto o grupo se preparava para iniciar o ato público, parte dos servidores que atuam no posto, ao chegar no local para iniciar o trabalho, decidiu aderir ao movimento e protestar contra o prefeito João Alves Filho. Com os salários pagos com oito dias de atraso, os profissionais alegam que a promessa de qualificação da saúde municipal em apenas 100 dias de gestão ficou apenas nos discursos eleitoreiros.
Para aquecer ainda mais o clima de revolta, agentes da Guarda Municipal foram acionados e, segundo os manifestantes, alguns chegaram a usar a força bruta contra os pacientes que promoviam um ato pacífico. De acordo com a moradora Marilene da Conceição, de 24 anos, desde o mês de junho de 2013 vem tentando marcar um teste ergométrico na unidade, mas até o momento a única resposta que conseguiu foi de voltar para casa e aguardar. Mãe de três filhos e desesperada por estar precisando urgentemente passar pelo exame, ela foi uma das acorrentadas, e agredidas verbalmente pela GMA.

"Não aguentamos mais esse descaso. Era melhor fechar esse posto de saúde porque aqui ninguém faz nada. O atendimento é péssimo porque não tem o mínimo de estrutura. O pior disso tudo é que quando decidimos usar nosso direito de protestar, a Prefeitura de Aracaju manda a guarda acabar com a reivindicação. Com essa gestão não temos o direito à saúde pública, muito menos de protestar", lamentou.
Ao todo cinco pessoas se acorrentaram e outras três se prontificaram a revezar. Os atendimentos só foram reiniciados no Posto Hugo Gurgel assim que a mobilização chegou ao fim, por volta das 9h30. Os usuários não informaram a data da nova mobilização a ser realizada na mesma unidade da Coroa do Meio.

Já o Sindicato dos Enfermeiros do Estado de Sergipe (SEESE), indicou greve dos servidores a partir do dia 02 de maio, caso a PMA volte a não pagar os funcionários dentro do mês trabalhado. Essa decisão já havia sido deflagrada em assembleia realizada no início do ano, e voltou a ser reforçada na semana passada quando os enfermeiros que atuam junto à SMS participaram de nova reunião extraordinária.
"A falta de condições de trabalho atrapalha o desenvolvimento das nossas funções e não podemos mais aguardar de braços cruzados pelas melhorias que nunca chegam. A promessa da prefeitura era regularizar o pagamento salarial em março, mas isso não aconteceu e ajudou a inflamar ainda mais a paciência de todos", declarou Shirley Morales, presidente do SEESE.

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