Casa de deputado é alvo de protesto contra o impeachment
Gabriel Damásio
gabrieldamasio@jornaldodiase.com.br
Integrantes de movimentos sociais e partidos políticos de esquerda realizaram ontem uma série de manifestações contrárias ao processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, que será votado hoje no Senado Federal, em Brasília. Em Sergipe, vários atos públicos foram realizados ao longo do dia, dentro do chamado "Dia Nacional de Luta contra o Golpe". O de maior destaque aconteceu no final da manhã em Lagarto (Centro-Sul), onde manifestantes ligados ao Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Lagarto e do Sindicato dos Trabalhadores da Educação da Rede Oficial de Sergipe (Sintese) se concentraram em frente à casa da família do deputado Fábio Reis (PMDB), um dos que votaram pela admissão do impeachment na Câmara dos Deputados.
Após uma caminhada por várias ruas do centro da cidade, acompanhados por um carro de som, os participantes do ato chegaram à residência dos Reis, na Praça Zezé Rocha, bloquearam a rua e gritaram palavras de ordem contra Fábio, referindo-se a ele como "golpista e traidor". A pista da rua em frente à casa também foi pichada com esses dizeres. Funcionários que trabalham no local relataram que os manifestantes chegaram a bater forte no portão de entrada e impediram a saída do que lá estavam. A Polícia Militar foi chamada ao local e negociou com os manifestantes, que encerraram o protesto e se dispersaram.
A assessoria do deputado confirmou, em nota, que a mãe dele, Rosa Meire Almeida, 59 anos, sofreu uma crise de hipertensão e precisou ser atendida às pressas no Hospital Regional de Lagarto. Ela recebeu alta no começo da tarde e foi à Delegacia Regional de Lagarto, onde prestou queixa contra os organizadores do movimento. O STR de Lagarto confirmou a pichação no asfalto, mas negou ter havido qualquer tentativa de invasão à casa.
Fábio Reis está em Brasília desde o começo da semana, participando das atividades deliberativa do Congresso. No fim da tarde, ele divulgou uma nota, na qual critica duramente o protesto e atribui a responsabilidade do incidente ao representante regional do Sintese, Nazon Barbosa, e ao ex-candidato José Carvalho de Menezes, o ‘Juquinha do PT’. "O grupo foi violento e irresponsável quando proferiu palavras ofensivas e pichou a frente da casa do parlamentar. (…) O parlamentar ressalta que considera toda manifestação válida, mas frisa que excessos devem ser combatidos e repudiados pela população", diz o texto.
Outros atos – Outras manifestações aconteceram no interior, com o bloqueio de estradas pelos manifestantes ligados ao Movimento dos Sem-Terra (MST) e a sindicatos. Em Propriá (Baixo São Francisco), eles fecharam a ponte sobre o Rio São Francisco, que dá acesso a Porto Real do Colégio (AL). Em Cristinápolis (Sul), houve o bloqueio da BR-101, próximo à divisa com a Bahia. E em Poço Redondo (Sertão), a interdição aconteceu na SE-206 (Rota do Sertão), onde os militantes colocaram fogo em pneus e gritaram palavras de ordem. A Polícia Rodoviária Federal (PRF) e o Batalhão de Polícia Rodoviária Estadual (BPRv) informaram que não registraram nenhum incidente nos protestos, que duraram cerca de uma hora.
Em Aracaju, o protesto aconteceu ao final da tarde na Praça General Valadão, no Centro, reunindo os integrantes da Frente Sergipana Brasil Popular. Ela estima que cerca de 15 mil pessoas compareceram ao ato e caminharam pelas ruas do centro comercial, com faixas, discursos e palavras de ordem em defesa da presidente Dilma. Os manifestantes voltaram à praça no começo da noite e assistiram a apresentações musicais de atristas que apoiam o movimento, como Patrícia Polayne, Diane Veloso e Alex Sant’Anna.


