Uma crise administrativa no Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) voltou a causar transtornos na manhã de ontem em Sergipe. Sem manutenção e serviço de higienização em cinco ambulâncias do tipo UTI móvel, mais de 15 funcionários cruzaram os braços como forma de protesto contra a Secretaria de Estado da Saúde (SES). Conforme denúncia do Sindicato dos Condutores do Samu, a constante falta de água, troca de pneus e manutenção dos veículos tem contribuído para que os atendimentos se tornem mais demorados e menos eficazes. Sem água encanada ofertada pela Deso, a direção do SES teve que encaminhar um caminhão pipa para promover a limpeza das ambulâncias.
De acordo com o presidente do sindicato, Adilson Ferreira, ao longo dos últimos meses a categoria vem informando a direção geral do Samu sobre os problemas enfrentados diariamente assim que as unidades móveis de atendimento saem da base para atender um chamado. Segundo ele, em menos de uma semana três veículos apresentaram problemas mecânicos enquanto estavam no interior do estado e tiveram que ser substituídas. "Esses problemas já são de conhecimento dos administradores porque todos os impasses são relatados pela equipe que está em serviço. Como se não bastassem os pneus carecas e a falta de água, a parte mecânica tem nos deixado na mão", afirmou.
Devido ao problema ter sido registrado já com o paciente dentro da ambulância, a população voltou a protestar contra os profissionais que estavam na ocorrência. Lamentando a situação, Adilson enalteceu a necessidade dos sergipanos terem consciência que os médicos, enfermeiros e motoristas não são culpados pelos problemas apresentados nas ambulâncias. "Estamos ali para prestar socorro e fazer de tudo para que o paciente chegue logo ao hospital. É preciso que a população se una aos nossos pleitos para que melhorias sejam conquistadas e o nosso objetivo, que é salvar vidas, seja conquistado sempre", declarou. Os problemas foram registrados nos municípios de Nossa Senhora do Socorro, Rosário do Catete e Capela.
Pela superintendência do Samu Sergipe, foi informado que funcionários do departamento de manutenção estiveram no local e identificaram um vazamento que estaria contribuindo para o não fornecimento de água a ser utilizada na higienização dos veículos. Apesar do ‘concerto’, a pressão da água permanecia pequena e era insuficiente para abastecer a caixa d’água. Diante da permanência do problema, uma equipe especializada da Deso foi encaminhada e o problema anteriormente detectado não foi por vazamento e, sim, na rede de abastecimento. "Pra vocês terem noção de como anda o nosso serviço público. De extrema incompetência, e assim o barco vai levando. Até quando? Eu não sei", lamentou o marceneiro José Luíz Marques, que acompanhou de longe todo o serviço.


