Quatro recém-nascidos com microcefalia morrem em Sergipe

Milton Alves Júnior
miltoalvesjunior@jornaldodiase.com.br

A morte de quatro recém-nascidos por microcefalia em Sergipe deixou a população ainda mais apavorada com a epidemia da doença causada pelo mosquito Aedes Aegypti, o mesmo transmissor da Dengue e da Zika Vírus. Agora, além do apoio operacional dos grupos de endemias, policiais militares, policiais civis, Defesa Civil e Exército, líderes comunitários têm promovido mutirões em todos os bairros da capital sergipana a fim de identificar locais propícios para a proliferação do mosquito. A medida trata-se de uma atitude emergencial, na qual já deveria ter sido realizada há anos pelos órgãos públicos e comunidade geral.
Drones – equipamento eletrônico comeras filmadoras – estão sendo utilizados para vistoriar de cima, possíveis residências, terrenos baldios ou departamentos públicos que oferecem as devidas condições de proliferação do Aedes Aegypti. Conforme posicionamento da Secretaria de Estado da Saúde (SES), e Secretaria Municipal de Saúde (SMS), atuações como estas podem colaborar no combate à doença em Sergipe que atualmente apresenta uma estatística considerada preocupante, já que coloca o estado no quinto lugar do ranking nacional de casos de microcefalia. A lista negativa foi divulgada essa semana pelo Governo Federal, por meio do Ministério da Saúde.
O secretário de estado da saúde, Zezinho Sobral, informou que o Governo tem buscado adotar todos os cuidados necessários para combater o mosquito e minimizar os casos nos 75 municípios. Na opinião do gestor, é preciso que os sergipanos continuem unidos na luta contra o Aedes Aegypti. "Essa luta é de todos. Não adianta o Estado fazer a parte dele se o cidadão não chega em casa ou no ambiente de trabalho e busca investigar se tem algum foco de mosquito. Apenas unidos iremos conseguir combater esse mau que nos tem gerado tanta preocupação e óbitos em curto prazo", afirmou Zezinho.
As queixas apresentadas pelo secretário são baseadas em um estudo regional que destaca as áreas residenciais como principal fonte de geração de larvas destes mosquitos. Segundo análise técnica realizada por agentes de endemias, cerca de 82% dos focos estão dentro das casas dos sergipanos. Outros 10% estariam em ambientes de trabalhos. Ainda de acordo com Zezinho, é preciso que a ação de combate seja constante.
Os quatro casos de óbitos em Sergipe foram registrados nas cidades de Aracaju, Nossa Senhora das Dores, Japaratuba, e Ribeirópolis. Nestes quatro municípios o uso de repelentes subiu mais de 800%, se comparado aos anos anteriores. Apenas nos municípios que formam a Grande Aracaju, o comércio já registrou uma venda superior a oito mil frascos contendo repelente.
Ranking – Na lista do Ministério da Saúde, Pernambuco ainda permanece liderando com o maior número de casos da doença registrado apenas neste ano de 2015. Até a última quarta-feira, 09, foram contabilizados 804 casos – sem casos de morte; seguido da Paraíba (316 – com uma morte), Bahia (180 casos – com duas mortes). Em seguida vem Rio Grande do Norte (106 casos – sete mortes), Sergipe (96 casos – quatro mortes); Alagoas (81 casos); Ceará (40 casos – uma morte), Maranhão (37 casos – uma morte), Piauí (36 casos – uma morte), Tocantins (29 casos), Rio de Janeiro (23 casos – duas mortes), Mato Grosso do Sul (nove casos), Goiás (três casos) e Distrito Federal (um caso).

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