Quilombolas cobram direitos

Milton Alves Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

Cerca de 350 pessoas estão acampadas na sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), em Aracaju, a fim de cobrar do Governo Federal a demarcação emergencial das terras hoje ocupadas pelo Grupo Quilombola Brejão dos Negros que fica instalado no município de Brejo Grande, distante a 137 km da capital sergipana. Em marcha, os invasores reivindicam uma audiência pública junto ao governador Jackson Barreto de Lima e com a presidente nacional do instituto, Maria Lúcia Falcón. A luta unificada conta neste ato com a participação de representantes de 19, dos 27 grupos quilombolas em atuação no Estado de Sergipe. A meta dos manifestantes é permanecer ocupando o espaço por tempo indeterminado.

No início da tarde de ontem porta vozes da unidade informaram que a direção estadual pretende levar uma comissão de Brejão dos Negros a Brasília para saber como anda o processo de repasse dessas terras para os moradores. Diretores do Incra informaram ainda que já no próximo dia 22 de abril, o Incra realizará uma mesa técnica para discutir a articulação das políticas públicas e que contará com diversas entidades governamentais. Questionados sobre a possível participação de representantes quilombolas, os gestores ressaltaram que líderes poderão participar. Apesar das promessas, a coordenação de articulação social afirmou que os manifestantes não devem deixar o espaço até que a audiência pública seja realizada.

"Não podemos mais esperar por uma decisão que foi prometida para ocorrer no início do ano passado e até o presente momento nenhuma dessas terras foi devidamente repassada para o grupo. O encontro com Jackson e Lúcia Falcón é fundamental para que os nossos pleitos sejam de uma vez repassados. Sem esse encontro com um deles não existe a possibilidade de deixarmos a sede do Incra", disse a articuladora do Movimento Nacional dos Direitos Humanos, Lídia Anjos. No final da tarde de ontem mais dois ônibus com 30 passageiros cada, desembarcaram na frente do instituto para agregar o movimento. Para hoje, a promessa é de novos manifestos e expectativa para a presença de Jackson Barreto.

Mostrando-se preocupada com a possível demora no repasse das terras, Lídia Anjos destacou a visita de construtoras e empresários da Bielorrússia à área reivindicada por famílias do Brejão dos Negros. Segundo a denunciante, a perspectiva do Governo de Sergipe e grupo internacional de empresários é que o atual espaço seja transformado em um resort. "Existe um conflito claro de interesses onde uma parte visa o espaço, a terra, como um meio de lucro capitalista, e nós, avaliamos o ambiente como meio de vida e valorização da cultura. Precisamos do apoio de Jackson para os sergipanos e não para os empresários", pontuou. O coordenador estadual do movimento quilombola, Wellington Nascimento, também participa do ato.

Para ele, é preciso unir as forças de todos os grupos quilombolas para conquistar direitos que foram adquiridos mesmo que de forma verbal, depois de muita luta. Essas reivindicações que geraram em promessas foram promovidas nos anos de 2011, 2012, 2013 e início de 2014. "Não iremos ficar de braços cruzados esperando que o estado decida repassar essa terra para as construtoras e acabe esquecendo tudo aquilo que foi prometido para as famílias. Vamos sim continuar acampados aqui no Incra até o momento de uma definição real", definiu o coordenador que concluiu dizendo: "Por trás de um interesse de empresários da Bielorrússia há uma comunidade inteira que entende a terra como vida, cultura e a sua sobrevivência".

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