Reintegração de terreno causa polêmica

Milton Alves Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

Depois de serem despejados por ordem judicial, famílias que ocupavam de forma irregular terras de preservação ambiental situadas na Barra dos Coqueiros decidiram entrar com uma ação junto ao Tribunal de Justiça de Sergipe a fim de recorrer da medida impetrada pela juíza Heloísa de Oliveira Castro. A ocupação dos lotes que ficam situados entre os povoados Jatobá e Touro vinha ocorrendo de forma gradativa desde o dia 01 de abril deste ano. Segundo números apresentados pela Polícia Militar, cerca de 800 famílias – em um total de três mil pessoas, já residiam no espaço.

Para cumprir a ordem de despejo que teve início por volta das 5h30 o Comando Geral da PM dispôs de 150 agentes e 30 veículos. Na tentativa de evitar conflitos, no início desta semana um oficial de justiça já havia informado do processo de reintegração de posse das terras. Apesar dos avisos prévios, as famílias tentaram resistir à medida e alguns moradores acabaram entrando em atrito com os homens da força militar que estavam em posse de cavalos. Para atender os feridos, equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) estiveram na área. O cumprimento da medida jurídica ocorreu por volta das 10h.
Sobre o atrito envolvendo agentes e populares, o assessor adjunto da Polícia Militar, capitão Alisson Cruz garantiu que, paralelo ao trabalho informativo realizado por oficiais de justiça, a própria corporação da PM desde o mês de maio já realizava comunicados sobre a possibilidade de aprovação pela reintegração do solo. A medida preventiva tinha como principal objetivo evitar que houvesse o conflito. "Apesar do trabalho realizado anteriormente, logo que chegamos aqui encontramos dificuldades porque os moradores criaram barreiras. Foi necessário derrubar as barricadas para em seguida demolir as casas irregularidades", disse.

Além dos tratores, caminhões caçamba e viaturas, os policiais necessitaram utilizar bombas de efeito moral e balas de borracha para tentar seguir com a ação. Ainda em esclarecimento dos fatos, o capitão garantiu que não houve intenção por parte da PM em gerar problemas ainda maiores para as famílias. "Nunca foi e não será agora que a Polícia Militar de Sergipe vai querer prejudicar ninguém ou ferir ninguém. Estávamos apenas cumprindo ordens superiores e algumas pessoas tentaram atrapalhar a nossa atuação. Infelizmente o contato mais firme se fez necessário para atender a determinação da juíza", pontuou Alisson Cruz.
Em contraponto o coordenador da ocupação, Gibaldo Souza, destacou que as famílias não possuem teto para morar e por este motivo decidiram ocupar o espaço. Para ele, é preciso que órgãos de defesa dos Direitos Humanos acionem medidas também jurídicas que possam favorecer as famílias. "Se estamos aqui é porque necessitamos muito. Se a gente tivesse uma casa própria ou auxílio moradia ninguém estaria ocupando a terra dos outros. Infelizmente somos todos trabalhadores e não temos destino. Espero que algum órgão público possa olhar por nós, pelas crianças e pelos idosos que vivenciaram cenas de pânico na manhã de ontem", pleiteou.

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