Rejeitado pela maioria, Mitidieri pode não ter adversário de peso

Partidos e lideranças políticas parecem não levar muito a sério a disputa para o governo. De outra forma teriam apresentado nomes que poderiam chegar as convenções partidárias, em junho, já conhecidos do eleitorado

Pesquisa AtlasIntel divulgada no final do ano passado pela revista Carta Capital mostra que o governador Fábio Mitidieri (PSD) é aprovado por apenas 39% da população, enquanto 45% desaprovam e 16% não souberam responder. O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, que trocou o União pelo PSD, é o campeão de aprovação, com 80%.
Para elaborar o ranking, a AtlasIntel entrevistou 200 mil eleitores de todo o país, de forma virtual. A margem de erro oscila entre 1 e 4 pontos percentuais, a depender do volume da amostra de cada estado.
A baixa aprovação de Mitidieri é reflexo de uma administração sem rumo, focada apenas em grandes festas e na realização de viagens internacionais, sempre acompanhado de grandes comitivas. Ontem mesmo, o governador comandou a abertura do Verão Sergipe, na praia de Atalaia, uma mistura de shows e atividades esportivas. Outras festas já estão marcadas para diversos municípios do estado.
Nesses três anos, o governo Fábio Mitidieri ficou marcado pela venda da Companhia de Saneamento de Sergipe – Deso para a Iguá Saneamento, empresa que, até o momento, consegue prestar um serviço contestado pela população. Longe de garantir a universalização da água e do saneamento, a concessão serviu apenas para encher os cofres do estado e dos municípios.
Promessa da campanha eleitoral de 2022, o governador Fábio Mitidieri (PSD) precisou de dois anos e oito meses para lançar o edital de licitação para a construção da nova ponte Aracaju-Barra dos Coqueiros. Com um investimento de R$ 1,117 bilhão, a obra do complexo viário será formada pela ponte e três viadutos interligados no bairro Coroa do Meio, a partir da Avenida Tancredo Neves.
Somente na quinta-feira (29), foi iniciada a montagem do viaduto de 180 metros que integra o Complexo Viário Senadora Maria do Carmo Alves. Apenas depois é que as obras da ponte serão iniciadas. A perspectiva é de que essas obras só sejam entregues à população em 2027, quando Mitidieri só estará à frente do governo caso seja reeleito nas eleições deste ano.
Essa paralisia do governo se reflete também na economia do estado. Em 2024, a nível nacional, o crescimento do PIB do estado de Sergipe ficou em 25º lugar, ao lado do Rio Grande do Sul, que mesmo com as enchentes que devastaram a economia, também avançou 2,84%. O estado com menor taxa de crescimento foi Mato Grosso do Sul, que alcançou 2,20%.
Sergipe deve melhorar de desempenho nos próximos anos, com a retomada da produção da Fafen e, a longo prazo, com o Sergipe Águas Profundas. Os maiores investimentos no estado são oriundos do governo federal e de suas estatais, principalmente a Petrobras.
Nenhum desses investimentos depende da iniciativa do governo Fábio Mitidieri (PSD), que faz uma gestão pífia, voltada apenas a objetivos eleitorais, como o programa Sergipe é Aqui, que leva serviços para municípios do interior. O que deveria ser uma obrigação do estado se transformou em exemplo citado permanentemente pelo governador e seus asseclas.
É nesse clima que o estado de Sergipe vai encarar uma nova eleição estadual. Mesmo fazendo um governo fraco, Mitidieri pode conseguir a reeleição em virtude da falta de adversários competitivos. Pela direita bolsonarista, o prefeito de Itabaiana Valmir de Francisquinho (Republicanos) conseguiu uma decisão liminar no STJ, mas sua situação jurídica ainda é frágil; pela esquerda, o senador Rogério Carvalho (PT), que em 2024 chegou a vencer da disputa para o governo no primeiro turno, anunciou que será candidato à reeleição, com grandes possibilidades até de apoiar o atual governador, apesar da baixa aprovação mostrada pela pesquisa AtlasIntel.
Partidos e lideranças políticas parecem não levar muito a sério a disputa para o governo. De outra forma teriam apresentado nomes que poderiam chegar as convenções partidárias, em junho, já conhecidos do eleitorado.
Pintura a Pastel seco sobre papel colorido do artista sergipano Ailton Lima

Gás do povo

O Governo do Brasil iniciou, nesta semana, mais uma etapa de implementação do Programa Gás do Povo. A medida atende mais de 34,8 mil famílias em Aracaju, por meio do fornecimento gratuito do vale para recarregar o botijão de gás de cozinha. Em janeiro, o programa do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), em parceria com o Ministério de Minas e Energia (MME), chegou a famílias de 17 capitais brasileiras.
As dezessete capitais que não haviam sido contempladas em novembro, na primeira etapa, foram incluídas agora: Aracaju (SE), Boa Vista (RR), Brasília (DF), Campo Grande (MS), Cuiabá (MT), Curitiba (PR), Florianópolis (SC), João Pessoa (PB), Macapá (AP), Maceió (AL), Manaus (AM), Palmas (TO), Porto Velho (RO), Rio Branco (AC), Rio de Janeiro (RJ), São Luís (MA) e Vitória (ES).
Com o marco de 10 mil pontos de comercialização credenciados em menos de dois meses, uma em cada seis revendas de GLP do país está conectada à iniciativa. Com isso, praticamente todas as famílias contam com uma revenda a até 2km de sua residência, numa estratégia que busca eficiência logística e presença territorial, essenciais para combater a pobreza energética.
A previsão é de que o Gás do Povo esteja em pleno funcionamento em março, quando 15 milhões de famílias (cerca de 50 milhões de pessoas) em todos os 5.571 municípios estarão contemplados.

Alese reabre

A Assembleia Legislativa do Estado de Sergipe (ALESE) realizará, na segunda-feira, 2 de fevereiro, às 9h30, no Plenário Deputado Pedro Barreto de Andrade, a sessão solene de abertura da Sessão Legislativa Anual de 2026.
A solenidade atende ao que dispõe o caput do artigo 51 da Constituição Estadual e marca oficialmente a retomada das atividades parlamentares em Plenário, após o recesso constitucional.
Durante a sessão, o governador do Estado, Fábio Mitidieri, apresentará a ‘Mensagem Governamental ao Poder Legislativo’, conforme determina o preceito constitucional. O pronunciamento expõe as diretrizes, prioridades e metas da administração estadual para o exercício de 2026.

Cotas da diplomacia

Em uma seleção inédita na história do Ministério das Relações Exteriores (MRE), pessoas indígenas e quilombolas passam a ter vagas reservadas no concurso público de admissão à carreira de diplomata. O Instituto Rio Branco, a academia de formação diplomática vinculada ao Palácio do Itamaraty, divulgou na quinta-feira (29) o edital do concurso, com a oferta total de 60 vagas.
Este é o primeiro concurso para a carreira diplomática sob a vigência da nova lei de cotas, sancionada no ano passado pelo presidente Lula. Do total de vagas, 39 são destinadas à ampla concorrência, três a pessoas com deficiência (PCDs), 15 a pessoas negras (pretas e pardas), duas a pessoas indígenas e uma a pessoas quilombolas.

O futuro do Brasil

Reunida na quinta-feira (29), a Comissão Executiva Nacional do PT aprovou uma resolução em que define o ano de 2026 como decisivo para o futuro do país. “É o ano para reafirmar que o Brasil escolhe a democracia, a justiça social, a soberania nacional e o futuro. E essa escolha passa, necessariamente, pela reeleição do presidente Lula, pela eleição de muitos(as) governadores(as) e de uma maioria parlamentar na Câmara e no Senado comprometida com esse projeto e pela derrota definitiva do bolsonarismo como projeto de poder”, diz trecho do documento.
Os dirigentes partidários afirmam que a eleição presidencial deste ano será histórica e que a recondução de Lula é estratégia para derrotar o bolsonarismo, “vertente brasileira do fascismo”, que defende projetos antinacionais e antipovo. Em contrapartida, a reeleição de Lula é o caminho “para aprofundar as transformações iniciadas no Brasil, voltadas à superação das desigualdades e a um novo projeto de desenvolvimento nacional, soberano, sustentável e inclusivo”.
Além de alertar para a conexão da extrema direita brasileira a uma “rede internacional que combina desinformação em larga escala, manipulação algorítmica, mobilização pelo medo, ataques às instituições democráticas e financiamento transnacional”, o partido também aponta para a necessidade de manter o país “no rumo do crescimento com distribuição de renda, justiça social e responsabilidade fiscal” alcançados com Lula. A Executiva Nacional destaca, ainda, que sob Lula o Brasil retomou “protagonismo internacional”.

Rio São Francisco

O Rio São Francisco, que corta Minas Gerais e boa parte da Região Nordeste, está com o nível acima da cota de alerta e em processo de subida em algumas cidades mineiras e baianas.
Os dados são do mais recente boletim do Sistema de Alerta Hidrológico da bacia, divulgado na manhã de quinta-feira (29). No município de Pedras de Maria da Cruz (MG), o nível atual do rio passou dos 7,5 metros (m), quase 2m acima da cota de inundação.
Na cidade mineira de São Francisco e nos municípios baianos de Carinhanha e Bom Jesus da Lapa, as águas já subiram acima das margens, causando alagamentos em algumas áreas.
Cerca de 150 mil pessoas vivem nessas quatro cidades.
Com a cheia do São Francisco e dos afluentes que cortam a região, o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais considera “moderada” a possibilidade de enxurradas nas cidades, entupimento de córregos e alagamentos em áreas rebaixadas com problemas de drenagem.
O período de chuvas na região da Bacia do Rio São Francisco começou em novembro e deve durar até, pelo menos, o mês de março.

Dinheiro da Deso

Diante das informações de que o governador Fábio Mitidieri (PSD) aplicou no mercado financeiro os recursos obtidos com a concessão da Deso, que estariam rendendo quase 15% ao mês, um leitor quer saber: “Será que o governador aplicou os recursos da Deso no Banco Master, devido ao alto rendimento mensal que diz estar sendo gerado com a aplicação?”. O rendimento médio de qualquer aplicação fica um pouco acima da inflação mensal.
Diante disso seria bom que o governador viesse a público e contasse os detalhes da operação, para não suscitar mais esse tipo de dúvida.
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