Respeito às individualidades e dedicação aos estudos: como Bia Vaz foi de meio-campista à treinadora

Para definir as melhores táticas e explorar as habilidades da equipe em jogo, o técnico tem, antes de tudo, que conhecer o perfil de cada um dos seus jogadores. Não por acaso, os treinadores são chamados de professores. Como mestres, identificam as vulnerabilidades e potencializam as qualidades, dentro e fora de campo.
Da infância na Zona Norte de São Paulo, passando pelo futebol profissional como jogadora até assumir a função de técnica, os caminhos percorridos por Beatriz Vaz e Silva traçaram a visão que ela tem hoje sobre liderança.
“Lidar com pessoas é sempre difícil, porque a gente tem que respeitar o outro. Geralmente, primeiro vêm os julgamentos. A gente olha o outro com os nossos olhos e o que de bonito ou não a gente tem para oferecer. O tempo vai nos mostrando que lidar com as pessoas é muito sobre respeitar quem elas são e entender como nós somos também, porque temos muitas limitações”, reconhece.

Infância no esporte – Com olhos atentos, Bia mais escuta do que fala. Até nos momentos tensos de jogo, é nas anotações – em papel – que ela dá forma e organiza o raciocínio antes de instruir as atletas. A tríade esporte, estudos e pessoas esteve presente desde cedo. Ainda criança, ela teve uma vivência esportiva diversa graças ao seu Nô, Claudionor Pereira da Silva, e ao bairro onde morava.
“Meu pai sempre gostou muito de jogar e me levava para tudo quanto é lugar. E a Vila Amélia é um bairro super arborizado, a gente jogava a bola o dia inteiro no final da rua. E tinha joguinhos de rua, pião, bolinha de gude, pipa, vôlei, basquete. E, nesse paralelo, meu pai me colocou no karatê”, conta.
Sem saber definir o momento em que a brincadeira de rua virou coisa séria, ela recorda que, por volta dos 12 anos, deixou de lado o tatame para priorizar a bola. O professor da escola Luiz não só permitiu que ela praticasse as modalidades coletivas, como também a incentivou a procurar um clube e cursar educação física, anos mais tarde.
“Um aluno que fazia educação física com o Luiz, o Carlinhos, era o treinador do Macabi, que tinha um time só para meninas. Aí eu fiz um teste na Juventus, já estava com uns 15 anos. E lá eu conheço a Magali, que é uma referência quando a gente pensa em futebol feminino em São Paulo”, lembra.
Da agremiação da Mooca, a meio-campista passou pelo Itanhaém, Mackenzie (onde concluiu a faculdade de educação física), Foz Cataratas, Ferroviária, São José, Flamengo e Osasco Audax. No caminho, teve duas experiências no exterior – uma para estudar e a outra para jogar uma temporada no Boston Breaks. Além das convocações com a Seleção Brasileira e títulos nacionais e internacionais.
Com os clubes, ganhou o Campeonato Brasileiro Feminino de 2014 e 2016, a Copa do Brasil Feminina de 2011 e 2014 e o Paulista Feminino de 2013. E, na Amarelinha entre 2013 e 2016, foi campeã da Copa América Feminina de 2014.

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