Risco da dengue aumenta com o período de chuvas

Milton Alves Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

O período de chuva se aproxima e com ele a preocupação dos governos com a possibilidade de infestação do mosquito Aedes Aegypti, responsável pela transmissão da dengue. Em virtude do acúmulo de água das chuvas, os meses de maio, junho e julho costumam apresentar evolução nos registros clínicos em todas as unidades de pronto atendimento. Este ano, conforme dados apresentados pela Prefeitura de Aracaju, através da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), o último mês de março apresentou números surpreendentes que posicionam a capital sergipana em um nível considerado médio risco ou alerta. O estudo foi confirmado pelo Levantamento de Índice Rápido do Aedes (LIRA), e apontou ainda que cinco bairros apresentaram alto risco.

Entre os citados estão: Cirurgia, Cidade Nova, São José, Suissa e Santa Maria. Próximo ao Santa Maria, o bairro 17 de Março, assim como os demais que formam a Zona de Expansão, também requer atenção por parte das coordenadorias de combate à Dengue. Paralelo à instabilidade climática e desatenção por parte dos próprios moradores, a greve dos agentes de endemias contribuiu para o avanço nos casos. Em menos de dois meses a direção do LIRA apontou uma evolução que passou de 2,4 em Janeiro, para 2,9 na primeira quinzena de março. De acordo com Taise Cavalcante, coordenadora do Programa de Controle da Dengue de Aracaju, é preciso intensificar o combate em virtude desse progresso negativo.
"Esses números apontam um crescimento significativo no número de bairros que passaram de números satisfatórios para situação de alerta. Os demais bairros apresentaram um índice que não gera preocupações, mas nos demais cinco nos causam atenção para evitar novos casos. Entre eles o Cirurgia e o Suíssa que são vizinhos e reúnem uma grande quantidade de moradores e frequentadores", disse. Apesar dos problemas causados com a paralisação dos agentes, quem transita por estes dois bairros citados pode se deparar com ambientes excepcionais para a proliferação dos mosquitos. Além dos terrenos abandonados e sem o serviço de capinagem, pneus são aglomerados por lojas de serviço automotivo, garrafas pet espalhadas pelas calçadas e cacos de planta sem os devidos cuidados.
"Faz tempo que não vejo nenhum daqueles fiscais de casa andando por aqui, mas infelizmente as pessoas também não tem o cuidado de evitar a dengue, muito menos cobram dos vizinhos para que se responsabilizem", declarou a professora de banca escolar, Neide Menezes. Questionada sobre as ações de prevenção adotadas por ela, a docente foi dura na resposta. "Eu faço a minha parte, se os outros não fazem, eu acabo pagando o pato porque o mosquito sai desses focos e vem pra minha casa. Posso até parecer chata na vizinhança, mas faço isso pelo bem coletivo", pontuou.

Nos últimos dois anos foram notificados 1.034 casos em Sergipe. Mais de 65% desses registros foram oficializados em Aracaju que no último mês de outubro apresentava 16 bairros em estado de alerta. "Estamos reduzindo esses números. Ano passado o número de casos reduziu 76% segundo a Organização Mundial de Saúde. Precisamos do apoio de todos para que essa porcentagem seja ainda menor no final deste ano", declarou Taíse.

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