Terça, 21 De Maio De 2024
       
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Rock no fim do mundo


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Publicado em 17 de abril de 2024
Por Jornal Do Dia Se


Trinca de Ás (TDivulgação)

Rian Santos
 
Aos vinte anos, o comum das gentes comete burradas. Uns acendem cigarros. Outros empunham uma guitarra elétrica, fundam uma banda de rock.
Sim, fazer rock é quase sempre uma grande burrada, ainda mais no País do Forró, um fim de mundo. A chance de tal projeto dar certo, vencer o tempo e as circunstâncias, a ponto de vingar em forma de refrão, é praticamente nula. Uma vez na vida, outra na morte, entretanto, acontece.
Eis o caso da banda The Baggios, pronta para subir ao palco do Teatro Tobias Barreto a fim de celebrar 20 anos de labuta. 
 
Espelho retrovisor – Tanto tempo depois, tudo parece fácil. Quem acompanha a banda de perto, desde os primeiros acordes, como eu, sabe que não foi. 
Julico (guitarra e voz) recusa a pose de herói, mas sabe bem onde catou a inspiração para mergulhar no universo denso dos primeiros blues. Se a atitude dos projetos levados à frente na pacata São Cristóvão,berço da banda, era completamente punk, atada ao surrado lema do it yourself, a verdade impregnada em seu repertório autoral – desde a primeira demo lançada com a assinatura The Baggios, até os álbuns mais recentes, que lhe renderam duas indicações ao Grammy – como que lhe conduziu a uma encruzilhada. “Hard times, when i play the blues”.
De lá pra cá, muita água passou embaixo da ponte. Os bateras Lucas Goo, Elvis Boamorte e, finalmente, Gabriel Carvalho (aka Perninha), cada um a seu modo, trataram de meter as baquetas na história. 
Hoje, o tecladista Rafael Ramos completa a trinca de Ás. Mas Julico continua dando as cartas, movido pelo desafio de fazer rock de verdade sem ficar devendo nada a ninguém, feito gente grande. 
‘Dez anos depois’ (2015), o registro do show celebrado há dez anos, uma parceria de Julico com o diretor Raphael Borges, é um produto audiovisual impecável, exemplar do que aqui se afirma. Ali, a empatia na relação estabelecida entre banda e público, envolvidos numa espécie de catarse coletiva, comunica a razão de um riff de guitarra muito melhor do que qualquer imagem, melhor do que todas as palavras.
Quem tomou parte naquela noite memorável, o maior espetáculo musical já abrigado pelo Atheneu velho de guerra, fala de uma energia especial. Novidade nenhuma. Na hora da verdade, os Baggios sempre fazem bonito.
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