São Cristóvão: filha de engenheiro acusado por corrupção se afasta do cargo

A Prefeitura de São Cristóvão (Grande Aracaju) confirmou ontem que a secretária municipal de Infraestrutura e Meio Ambiente, Maria Olívia Santos Chirife, pediu afastamento do cargo. Ela é filha do engenheiro paraguaio Terésio Manuel Chirife Morel, 77 anos, que era diretor de Obras da repartição e foi detido pela Polícia Civil na sexta-feira passada, acusado de cobrar propinas em dinheiro e materiais de construção para liberar documentos de autorização para liberar obras no município. Morel era subordinado diretamente a Olívia e citou o nome da filha em conversas com vítimas que procuravam o acusado para pedir os documentos. Alguns destes encontros foram gravados por um capitão da Marinha Mercante, que procurou a polícia há três meses para fazer a denúncia.
De acordo com nota divulgada pela assessoria da prefeitura, "a secretária alegou que está se afastando para garantir que a prefeitura e as autoridades competentes possam adotar todas as medidas para investigação de forma imparcial e isenta". O prefeito de São Cristóvão, Jorge Eduardo Santos, indica que o afastamento não é definitivo, pois informou que ainda que vai definir um novo nome para ocupar a secretaria de forma interina. Uma sindicância administrativa foi aberta pelo Município para apurar o caso. TerésioMorel também foi afastado do cargo para responder à sindicância.
Na esfera policial, o caso é investigado pela equipe do Departamento de Crimes contra a Ordem Tributária e Administração Pública (Deotap). Segundo a delegada Danielle Garcia, diretora da unidade, o inquérito policial segue normalmente e Olívia Chirife já foi intimada para prestar depoimento, esclarecendo as suspeitas de envolvimento com as práticas do pai. A previsão é de que ela compareça à delegacia na próxima segunda-feira. Já a certidão de desocupação do solo, que era pedida há mais de um ano pelo autor da denúncia para a construção de flats em um terreno no bairro Rosa Elze, já teve o seu acesso liberado, com a expedição de um boleto para o pagamento do imposto correspondente.
O escândalo veio à tona na última sexta-feira, quando Terésio fez uma nova negativa de liberação do documento e foi levado até a sede do Deotap. Ao ser interrogado, ele invocou o direito ao silêncio. Segundo a polícia, o engenheiro cobrou do capitão a entrega de 100 sacos de cimento, como forma de "ajuda" ao Município, em troca da liberação para as obras. De acordo com a delegada, as provas contidas nas gravações são "contundentes" e Terésio poderá ser indiciado pelo crime de corrupção passiva. (Gabriel Damásio)

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