Saúde e Educação parados

Milton Alves Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

Pela terceira vez em menos de quatro meses, servidores de dez categorias ligadas ao Sistema Único de Saúde de Aracaju estão em greve devido à falta de pagamento dos salários, repasse do reajuste salarial, pagamento de horas extras, melhores condições de trabalho, e férias. Para oficializar a suspensão das atividades, os funcionários se aglomeraram em frente ao Centro Administrativo Aloísio Campos, sede da Prefeitura de Aracaju, onde promoveram um ato público e hostilizaram a administração do prefeito João Alves Filho. Até à tarde de ontem sequer os contracheques estavam disponíveis para a classe.

Entre as categorias que aderiram ao movimento estão os médicos, enfermeiros, psicólogos, dentistas, assistentes sociais, nutricionistas e agentes de combate a endemias. A suspensão das atividades faz parte de um acordo firmado pelos próprios trabalhadores ainda no mês de fevereiro quando ficou deliberado que, caso a PMA não repassasse o salário até o último dia útil de cada mês vigente, os trabalhadores já entrariam em greve no primeiro dia útil do mês posterior. Somente neste ano de 2016 foram seis greves anunciadas, a mais duradoura contabilizou 44 dias entre os meses de junho e julho.

Depois de tanta luta e longe de conquistar os 12% de reajuste – acumulados em perdas inflacionárias desde o ano de 2013 -, no dia 14 de julho os profissionais acabaram aceitando os 4,42% contrapropostos pelo prefeito João Alves, que não se fez presente no anúncio oficial realizado na sede administrativa. No final do mesmo mês o reajuste não foi pago, a promessa era de pagar na folha de agosto. Agora, ciente que o reajuste também não está presente na folha, a categoria foi informada que o reajuste juntamente com o retroativo será quitado por meio de folha suplementar, que não tem data definida para ser repassada.

Conforme avaliação feita pelo Sindicato dos Trabalhadores na Área da Saúde do Estado de Sergipe (Sintasa), a saúde pública na atual gestão foi administrada de forma secundaria. Augusto Couto, presidente do Sintasa, destaca a falta de diálogo entre os trabalhadores e o prefeito como principal ponto negativo dos últimos três anos e meio. "A partir do momento em que promessas são feitas e deixam de ser cumpridas, o cidadão trabalhador e os pacientes já ficam revoltados, mas quando os problemas estão na nossa cara e o prefeito sequer se mostra interessado em sentar e dialogar com as categorias, aí é que a insatisfação é geral e acaba contribuindo para as sucessivas greves", declarou.

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