Seca afeta produção de leite

A falta em Sergipe de um armazém pulmão para armazenar milho está afetando seriamente os avicultores. Quem garante é Eduardo Sobral, presidente da Federação de Agricultura e Pecuária do Estado de Sergipe. Ele promete procurar o governo para solicitar a construção de um grande depósito de grãos para que a Conab possa estocar o produto e fazer leilão. Nesta entrevista, ele também afirma que os citricultores estão falidos, pois o preço da laranja é ditado pelas indústrias de beneficiamento.

JORNAL DO DIA – Como o produtor sergipano vem enfrentando o longo período de estiagem que afeta várias regiões de Sergipe?

EDUARDO SOBRAL – Os pecuaristas sergipanos estão enfrentando a seca verde. No setor agrícola, podemos garantir que Sergipe terá este ano um grande prejuízo, pois 90% da safra de milho do semi-árido estão perdidas.

JD – Foi grande a perda de animais por causa da seca?

ES – A perda de animais não foi tão grande como a verificada em estados maiores do Nordeste, mas os pecuaristas enfrentaram momentos críticos devido à estiagem. O nosso medo é que a situação volte a se agravar agora com o fim do inverno.

JD – Até que ponto a estiagem comprometeu a produção de leite em Sergipe?

ES – A produção leiteira foi reduzida de forma considerável no estado. Para se ter uma idéia, a indústria de beneficiamento de leite Sabe, que previa trabalhar com 400 mil litros diários, está beneficiando apenas 200 mil litros. É importante dizer que a Sabe tem desenvolvido um excelente trabalho junto ao produtor. Suas ações podem ser comparadas a um programa de governo, pois ela tem levado aos pequenos produtores melhoria genética, assistência técnica, veterinária, nutricional e de zootecnia. Também está estimulando a inseminação artificial visando melhorar o nosso rebanho.

JD – O seguro safra beneficiou muitos produtores sergipanos este ano?

ES – Alguns produtores têm sido beneficiados, outros não, pois a questão do seguro depende muito da cultura. A nossa maior preocupação hoje é com a avicultura sergipana, que praticamente está falida. Há dias participei de uma reunião no Conab, em Salvador, onde foi discutido que o grande problema de Sergipe é que a produção estadual de milho é insuficiente para atender as necessidades locais. A alternativa é trazer o produto de outros estados, mas nós não temos aqui um depósito pulmão para armazenar e distribuir o milho.

JD – Existe a possibilidade de se instalar um depósito deste tipo no estado?

ES – A Federação vai procurar o governador Marcelo Déda para solicitar a implantação de um armazém pulmão. Para se ter uma idéia, o milho está sendo negociado em Sergipe por cerca de R$ 35, enquanto a Conab entrega por R$ 23, portanto uma diferença de R$ 12 por saca. Só que a Conab não armazena o produto em Sergipe, e se o avicultor for buscá-los nos armazéns da Conab em outros estados pagará mais por conta do frete. Diante disso, os produtores de frango preferem comprar diretamente com os grandes revendedores.

JD –  Ainda preocupa a entrada em Sergipe de animais com febre aftosa?

ES – Sergipe está há 17 anos livre da febre aftosa com vacinação. Aliás, já reduzimos uma vacina/ano para animais de certa idade. A nossa grande preocupação no passado era a região do rio São Francisco, mas nos últimos dois anos Alagoas tem realizado um trabalho muito bom de inspeção, devendo sair do período crítico agora. Pernambuco e a Paraíba também realizam bons trabalhos nessa área, o que significa dizer que a fase crítica sobre febre aftosa já passou.

JD – Qual a situação do nosso produtor de laranja?

ES – Todo mundo falido, pois a indústria está escravizando os produtores pagando o preço que deseja. Quando tem laranja em excesso, o preço é fortemente reduzido, e quando a produção reduz a indústria eleva o preço como quer. Como não existem mais os pequenos e médios compradores de laranja que terminam regulando os preços, hoje o produtor tem que vender a safra à indústria ou ver se perder no pomar.

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