Kátia Azevedo
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A longa estiagem no sertão sergipano continua afetando a produção e comercialização de produtos que chegam à mesa do consumidor.
Um dos produtos mais afetados é a farinha, que sofreu um amento de 100% em comparação com o mesmo período do ano passado. Com a seca, o preço do produto passou a custar R$ 4,00 e não mais R$ 3,50.
A expectativa é de que o produto fique bem mais caro no ano que vem como consequência da estiagem, considerada a pior dos últimos 40 anos. A falta de chuva tem destruído a plantação da mandioca, raiz utilizada na produção da farinha.
Desde abril, a produção vem apresentando queda por causa da longa estiagem e aumento de preço. A tonelada da farinha que custava R$ 232 está custando R$ 269 ao produtor – um reajuste de 16%. Mas o preço no varejo subiu ainda mais.
O reflexo desse aumento já é sentido pelo sergipano que tradicionalmente consome o produto quase que diariamente.
Até março, segundo a previsão do Instituto de Meteorologia do estado, a seca deverá ter um cenário inalterado. A Defesa Civil de Sergipe já confirma que esta é considerada a pior seca das últimas quatro décadas na região, sendo considerado um ano atípico.
O Centro de Meteorologia da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos (Cemese/Semarh), revela que a variação da temperatura está entre 31 a 32 graus no litoral, e 35 e 37 graus no sertão. A possibilidade de chuva é reduzida e a previsão é de que este verão seja mais quente e seco do que ano passado.
Farinha – De acordo com os comerciantes, o produto vem de estados como a Bahia e o Pará. Se viesse de Sergipe o preço estaria ainda mais caro.
A engenheira agrônoma da Empresa de Desenvolvimento Agropecuário de Sergipe (Emdagro), Elizabeth Elize Campos, alerta que a situação vai ser bem pior no próximo ano, quando a produção que seria resultado do plantio atual não acontecer. "Como não chove nas principais regiões produtoras da mandioca, o preço vai subir cada vez mais", disse.
Ela ressalta que nos municípios principais produtores da mandioca, Lagarto, Itabaiana, São Domingos, Malhador e região, a chuva não cai desde maio, quando as raízes começam a ser plantadas.
A engenheira ainda alerta para o possível efeito cascata que a seca pode provocar, chamando a atenção de que a mandioca também serve como ração para os animais. "Por extensão vamos pagar mais caro no preço da carne do boi e do frango", alerta.
O período de estiagem em Sergipe já afeta diretamente 18 municípios do interior, um total de 104.209 mil pessoas, além da produção agrícola e pecuária. Em situação de atenção desde agosto de 2011, as cidades do Alto Sertão estão sendo abastecidas apenas com a ajuda de caminhões pipa uma vez por semana. A cidade de Poço Redondo concentra o maior número de prejudicados, quase 15 mil pessoas.
As produções do milho, cana de açúcar e leite, consideradas culturas tradicionais no estado, também estão gravemente afetadas. O milho contabiliza um prejuízo de 30% e R$ 150 milhões ao ano, já a cana de açúcar caiu em 20% na produção, o que traduz em números cerca de R$ 35 milhões. Na pecuária, o leite foi o mais prejudicado, uma perda diária de R$ 300 mil, cerca de 40% de prejuízo.


