Secretaria confirma a morte de uma sergipana por chikungunya

Gabriel Damásio
gabrieldamasio@jornaldodiase.com.br

A confusão criada em torno do caso de morte por febre chikungunya atribuído ao Estado de Sergipe pelo Ministério da Saúde foi finalmente esclarecida. Ontem, a Secretaria Estadual de Saúde (SES) confirmou que uma idosa sergipana, residente em Graccho Cardoso (Médio Sertão), não resistiu às complicações provocadas pela doença e faleceu em São Paulo (SP). A paciente, identificada como Maria José de Andrade, 75 anos, contraiu a doença em novembro de 2015 e estava internada há algumas semanas no Hospital São Luiz, um dos principais da capital paulista, aonde foi levada depois de dar entrada com os sintomas da doença no Hospital São Lucas, em Aracaju.
No último dia 15, o caso de Maria José foi citado indiretamente no relatório semanal do Ministério, como uma das três mortes provocadas pela chikungunya, uma das três doenças transmitidas pelo mosquito Aedes Aegypti. A princípio, Aracaju negou que a morte tenha ocorrido no Estado, mas começou a fazer um levantamento mais detalhado nos registros de atendimento de todos os hospitais locais, depois que Brasília reafirmou a existência do caso fatal. De acordo com o porta-voz da SES, Alberto Jorge, a paciente não foi atendida pela rede pública de saúde em Sergipe, o que pode ter contribuído para a falha de comunicação.

"A Secretaria ainda não tinha conhecimento deste caso, porque ela só passou pela rede privada. Quando esta paciente foi atendida no São Lucas, o hospital não fechou diagnóstico para chikungunya, e por isso, o filho dela decidiu levá-la para o Hospital São Luiz, que também é particular. Quando ela faleceu, os médicos de lá confirmaram que ela estava com chikungunya e comunicaram esse caso pra Secretaria de Saúde de São Paulo, que repassou a comunicação diretamente ao Ministério da Saúde e informou que a paciente era sergipana. Houve uma demora de mais ou menos 72 horas para esta notificação e nós não tínhamos ainda um conhecimento formal disso", esclareceu Jorge.

O porta-voz admite ainda que Maria José pode ter contraído a doença em Sergipe, pois, ao passar pelo São Lucas, ela já apresentava febre, mal-estar e fortes dores nas articulações, que são os sintomas da chikungunya. Os médicos alertam que a doença pode evoluir para a morte do paciente, caso ele seja portador de alguma doença crônica ou já esteja com a saúde muito fragilizada. A Secretaria ainda não informou se pretende fazer alguma investigação médica que confirme onde a mulher contraiu a doença, mas garantiu que vai manter todas as ações e campanhas de combate ao mosquito transmissor.

De acordo com dados do informe semanal da SES, divulgado por meio do Observatório de Sergipe, o Estado já registrou, desde junho de 2015, 139 casos de febre chikungunya confirmados por exames de laboratório em 24 municípios, incluindo a morte da paciente de Graccho Cardoso internada em São Paulo, além do atendimento a um paciente que contraiu a doença em Feira de Santana (BA). Já em relação à dengue, Sergipe teve 198 casos notificados apenas neste mês, até o último dia 22. Ainda não foram confirmados casos de zika virus, mas a SES já detectou, desde o ano passado, 172 bebês com microcefalia em 41 municípios sergipanos – sete deles morreram.

Compartilhe esta notícia