Quinta, 25 De Julho De 2024
       
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Sem candidato nato, disputa pela Prefeitura de Aracaju está aberta


Publicado em 18 de novembro de 2023
Por Jornal Do Dia Se


A 11 meses das eleições municipais, a disputa pela Prefeitura de Aracaju não tem um candidato nato. Isso possibilita que os partidos trabalhem com nomes novos e tentem atrair pessoas sem
vinculação política. Os citados até agora já participaram de vários pleitos e alguns avisam previamente que não pretendem disputar as eleições.
Aracaju enfrenta altas e baixas com os seus prefeitos, mas a exceção dos quatro anos de João Alves Filho (2013-2016), a cidade conseguiu manter serviços básicos em funcionamento e apresenta avanços. O restabelecimento das eleições diretas para prefeitos das capitais ocorreu em 1985 logo após a redemocratização.
Durante a ditadura militar os prefeitos das capitais eram indicados pelo governador do Estado. Quando se elegeu governador pela primeira vez, em 1982, João Alves Filho escolheu Heráclito Rollemberg. Foi o último prefeito biônico, que acabou não concluindo o mandato pela nomeação de José Carlos Teixeira para o cargo, em 1985.
A partir da eleição de Tancredo Neves através da chamada “Aliança Democrática”, uma junção de dissidentes do regime com o PMDB, João Alves, e os então deputados Jackson Barreto e José Carlos Teixeira iniciaram as negociações para repetição da aliança em Sergipe culminando com a demissão de Heráclito. A partir daí, a prefeitura passou a ser voltada para as áreas periféricas da cidade, que viviam literalmente na lama.
No mesmo ano, Jackson foi eleito o prefeito mais votado do país e a PMA iniciou o maior volume de obras já executado até então na capital, não interrompido nem mesmo com a intervenção decretada pelo governador Antonio Carlos Valadares, em 1987. Depois da passagem do interventor, JB renunciou e Viana de Assis deu sequência as obras de infraestrutura.
Em 1988, Jackson elegeu Wellington Paixão contra a máquina do governo usada escancaradamente por Valadares. Paixão concluiu a gestão de forma melancólica, a partir do rompimento com JB, que acabou voltando ao comando da PMA em 1992. Com a renúncia de Jackson em 1994 para disputar o governo do Estado, assumiu o vice Almeida Lima, mas JB voltou a ser decisivo no pleito de 1996 quando elegeu João Augusto Gama.
A partir do ano 2000 com a eleição de Marcelo Déda tendo Edvaldo Nogueira como vice, uma nova geração passou a comandar os destinos de Aracaju. Déda fez uma gestão impecável tanto no aspecto moral quanto administrativo e foi reeleito sem qualquer dificuldade em 2004; em 2006 renunciou para disputar e vencer o governo do Estado, cedendo o cargo para Edvaldo, que manteve a mesma estrutura administrativa e foi reeleito no primeiro turno em 2008. Edvaldo enfrentou dificuldades no final de sua gestão e acabou permitindo a ressurreição de João Alves Filho.
A volta de João Alves significou o fim do ciclo progressista na PMA, a desorganização administrativa e financeira, retrocedendo ao patamar da época dos prefeitos indicados. A prefeitura literalmente parou, não pagava salários de funcionários, empreiteiros, fornecedores e prestadores de serviço, a coleta de lixo foi suspensa diversas vezes, e só conseguiu concluir o mandato porque os órgãos de controle de Sergipe não atuaram.
Na disputada eleição de 2016, Edvaldo enfrentou um renhido segundo turno e derrotou Valadares Filho, o seu protegido em 2012, com pouco mais de 12 mil votos. Assumiu com o discurso de reconstrução da cidade, atualizou os salários dos servidores, retomou os serviços, e estabeleceu um cronograma de obras, que garantiu a sua reeleição em 2020 sem maiores problemas, mesmo tendo que disputar o segundo turno.
Em 2024, Edvaldo Nogueira completa 16 anos como prefeito de Aracaju, não pode disputar a reeleição e será a primeira vez que o grupo criado por Jackson Barreto na década de 1980, liderado anos depois por Marcelo Déda, não tem nenhum nome para apresentar como opção. Interessados não faltam, mas nenhum com potencial eleitoral suficiente para que seja considerado um candidato nato.
Em 1988 com Wellington Paixão, e em 1996 com João Augusto Gama, o município elegeu nomes que não eram da linha de frente da política tradicional, mas militantes históricos em defesa da redemocratização. Tinham por trás o referencial eleitoral de Jackson Barreto, o que não ocorre neste momento.
Edvaldo encerra o ciclo de um grupo político no comando da Prefeitura de Aracaju sem nunca ter se preocupado em preparar um nome para disputar a sua sucessão. O seu partido (PDT) apresentou os nomes dos secretários Luiz Roberto, Waneska Barbosa e Jeferson Passos como pré-candidatos do grupo, mas poderá chegar ao processo eleitoral sem ter um nome para apresentar como o seu candidato.

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