O Laboratório Cen tral de Saúde Públi ca (Lacen), responsável pelos exames de coronavírus realizados em Sergipe, está enfrentando uma grande demanda pela realização dos testes. Atualmente, cerca de 5.300 amostras encaminhadas por hospitais, postos de saúde e outras unidades da rede pública, ainda estão para serem processadas e devem ficar prontas ao longo de 10 dias. O acúmulo de exames, segundo a superintendência do laboratório, se deve à falta de uma enzima utilizada na feitura dos testes automatizados e na extração do RNA do virus, cujo fornecimento foi interrompido pelo Ministério da Saúde.
De acordo com o superintendente do Lacen, Cliomar Alves, esta interrupção se deve ao fim do contrato que existia entre o governo federal e a empresa fornecedora da enzima. Ele explica que tanto o Ministério quanto a Secretaria Estadual da Saúde fizeram aditivos ao contrato, que garantiram a compra de mais kits para os exames automatizados. A previsão é de que o material chegue ao Estado nos próximos dias, o que vai garantir a retomada da outra modalidade de testes. "Com a ausência desse produto, os profissionais estão executando essa parte da análise manualmente. Por causa dessa alteração houve ampliação do prazo da liberação dos resultados", explicou Cliomar.
Diante da falta do insumo, o prazo de liberação dos resultados pode chegar a uma média de 10 dias. O procedimento é executado em amostras de secreção de naso e orofaringe de pacientes com sintomas e suspeita de infecção pelo vírus. Esse trabalho acontece em regime de plantão durante 24 horas.
O gestor informou que o atraso do kit de extração ocorre em todos os Lacens do Brasil e que a situação é decorrente da alta demanda nacional para o coronavírus e de um processo de importação. "O Governo do Estado, a Secretaria de Estado da Saúde e a Fundação Parreiras Horta estão trabalhando empenhados em buscar alternativas na liberação dos exames, para isto contratou cerca de trinta profissionais e nesse momento esta sendo priorizado pacientes graves que se encontram com síndrome respiratória aguda grave em hospitais, os resultados destes, são liberados em 24 horas", frisou Cliomar.
O Lacenreforçou os trabalhos para realização do diagnóstico da Covid-19. A medida visa adiantar o processamento, extração e amplificação do material genético do vírus através da técnica de biologia molecular, RT-PCR em tempo real. Atualmente, o Lacen processa uma média de 400 testes por dia com a extração manual, e tem capacidade para fazer 800 exames diariamente. Segundo dados do laboratório de Biologia Molecular de março a até hoje, a unidade recepcionou um total de 16.200 amostras de material coletado de pacientes para detecção da Covid-19.
Todo o material que chega ao laboratório é oriundodas unidades de saúde que atende o Sistema Único de Saúde (SUS), além dos hospitais que atendem pacientes de planos de saúde.A bióloga Gabriela Bezerra, gerente do setor, adverte que o Lacen não realiza a coleta de amostras para análise do coronavírus. "Recebemos apenas o material que passará pelo teste para o diagnóstico molecular pela pesquisa viral. A triagem do paciente e a coleta da amostra são feitos pela unidade que solicita o serviço", salientou.


