Milton Alves Júnior
A notícia de possível cancelamento do Forró Caju 2017, anunciada na manhã de ontem pelo prefeito Edvaldo Nogueira, acionou o sinal de alerta para centenas de vendedores ambulantes e empresários. Por se tratar da época mais tradicional e movimentada do Estado de Sergipe, a perspectiva dos trabalhadores é conquistar renda extra com o comércio de alimentos e bebidas. O prefeito disse que até o próximo dia 25 definirá o que será feito.
Sem o Forró Caju, considerado o maior arraial do estado, a probabilidade de queda nas vendas começa a preocupar o comércio que gira na capital sergipana. Pousadas e hotéis compartilham deste sentimento e torce para que o prefeito mude de ideia.
Apesar do apelo feito pelos setores econômicos, a Prefeitura de Aracaju, responsável direta pela realização da tradicional festa, diz que as condições financeiras da administração pública municipal não estão compatíveis ao ponto de promover um evento na dimensão que o Forró Caju possui há mais de 10 anos. Sem programação definida até à tarde de ontem, a PMA aguarda repasse de verbas por parte do Governo Federal, bem como da iniciativa privada. Sem essa ajuda será difícil realizar o evento na praça de eventos dos mercados, bairro centro da cidade.
Enquanto a prefeitura busca alternativas para tentar ressuscitar o festival junino, o Governo do Estado de Sergipe abriu na última segunda-feira, 15, o edital que oficializa a contratação de grupos folclóricos, trios pé-de-serra, bandas de forró, além de barcos de fogo e quadrilhas juninas. Mesmo com a promessa de nova edição do Arraia do Povo na Orla de Atalaia, zona Sul da capital, os vendedores pedem que os gestores municipais se desdobrem a favor do Forró Caju. Quanto ao pleito, o prefeito deve se pronunciar, novamente, nos próximos 15 dias e oficializar se realiza, ou não, o evento.
"Sem condições de lucro só com o forró lá na praia. Primeiro que não tem espaço para todos os vendedores, segundo que se com o Forró Caju, Forró Siri e com o Arraial do Povo já fica difícil lucrar bem, imagina sem uma festa desse tamanho. Esperamos todos que o problema seja solucionado e a gente possa se programar para vender como sempre fizemos nessa época. Pensando agora pelo lado da tradição, mês de junho sem Forró Caju chega ser até difícil de acreditar. Nossa cultura perdendo espaço para a falta de governo", lamentou o comerciante Paulo Nunes.
Compartilhando com o vendedor ambulante, o gerente comercial de uma rede de hotéis em Aracaju, Luiz Carlos, enaltece que, sem programação previamente definida fica difícil vender pacotes de viagem e turismo fora de Sergipe. Em outros estados, a exemplo do Pernambuco e Ceará, muitas programações estão disponíveis desde o início deste mês. Excursões saindo inclusive de Aracaju, já estão disponíveis aos olhos dos consumidores que apreciam o período junino. Com menos de 30% de reserva para o próximo mês, o medo do gerente é que a situação siga sem maiores alterações.
"Sabemos que não está fácil para ninguém, muito menos para gestoras públicos onde a política partidária muitas vezes acaba prejudicando o próprio povo. Assim como muitos colegas servidores de hotéis, também torço para que ainda esta semana o prefeito volte a público e reacenda a esperança de movimento em torno do Forró Caju", disse.


