Sem salários e outros benefícios, rodoviários paralisam os ônibus

As cidades de Aracaju e Nossa Senhora do Socorro foram os municípios mais prejudicados pela paralisação.

Milton Alves Júnior

Milhares de usuários do transporte público na região metropolitana de Aracaju voltaram a enfrentar impasses logísticos depois que motoristas e cobradores da empresa Viação Modelo decidiram cruzar os braços no início da manhã de ontem. A interrupção parcial do serviço, a qual envolveu 120 veículos e gerou desordem em 28 linhas, novamente foi protagonizada pela classe trabalhadora em virtude do atraso salarial referente ao mês de novembro, além de gratificações ausentes no contracheque e contas bancárias dos funcionários.
Segundo a Associação dos Rodoviários de Sergipe, entre as pendências está o não repasse da primeira parcela do décimo terceiro salário, bem como o vale-alimentação. As cidades de Aracaju e Nossa Senhora do Socorro foram os municípios mais prejudicados pela paralisação.
No início da tarde de ontem a Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito (SMTT), informou que seguia monitorando o ato público e, naquele momento, podia afirmar que na capital sergipana os bairros com maior impacto foram: Aeroporto, Bugio, Palestina – e toda a região do Hospital Universitário -, Soledade, e Coroa do Meio; Já em Socorro, os bairros mais comprometidos eram: Parque São José, Albano Franco, D.I.S., Fernando Collor, Marcos Freire I e III. Por parte do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Aracaju (Setransp), foi dito que desde o início da mobilização, gestores da Viação Modelo e do Setransp buscavam solucionar os impasses de forma breve, a fim de minimizar cada ponto afetado pela suspensão do serviço.
Em conversa com o JORNAL DO DIA, Aloísio Almeida, presidente da Associação dos Rodoviários de Sergipe, lamentou que este tipo de problema permaneça impactando diretamente na vida de centenas de profissionais que prestam serviços para a empresa Viação Modelo. Além dos condutores de veículos e operadores de caixa, o não repasse dos direitos trabalhistas atinge, também, técnicos de manutenção dos ônibus e trabalhadores com atuação nos setores administrativos. Questionado sobre a possibilidade de seguir com a paralisação por tempo indeterminado, o representante da categoria no ato iniciado ontem alegou que a perspectiva por parte dos trabalhadores era normalizar o serviço público de forma imediata, mas para isso necessitavam de garantias que indicassem o reparo dos débitos.
“A gente conversa com os passageiros e assiste a entrevistas, e o que mais observamos é sempre a mesma pergunta: pararam de novo? Sim, paramos. Na realidade precisamos parar. Não era do nosso interesse jamais ter que cruzar os braços, mesmo sabendo que iria causar transtornos. O problema é que os empresários não estão respeitando os direitos dos trabalhadores, e com esse montante de atraso de salários, vale-alimentação e gratificação natalina, não dá para continuar prestando serviço”, destacou Aloísio Almeida. Este foi a quinta interrupção parcial do serviço de transporte coletivo somente neste ano de 2022. O princípio deste conflito ocorreu logo no dia 1º de janeiro, quando 130 ônibus permaneceram estacionados nas garagens e vias expressas da região metropolitana.
A mobilização dos rodoviários foi finalizada no final da tarde de ontem; por volta das 16h30 o serviço público estava normalizado em sua totalidade.

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