Servidores da Empresa Municipal de Serviços Urbanos (Emsurb) e Empresa Municipal de Obras e Urbanização (Emurb) ameaçam parar as atividades por tempo indeterminado a partir de hoje em decorrência da falta de pagamento salarial. Segundo os trabalhadores, este mês o prefeito João Alves Filho decidiu dividir em grupos os que receberiam o respectivo salário, e isso além de provocar prejuízos em decorrência dos juros gerados em contas a pagar, também causa insatisfação nos servidores. Caso a promessa se concretize a partir das 8h, a perspectiva é que obras públicas e serviços de urbanização estejam comprometidos.
Dentro da programação debatida em assembleia realizada na última terça-feira, 04, profissionais efetivos e terceirizados devem promover uma caminhada saindo da Emurb, na rua Acre, a partir das 7h, até o Centro Administrativo Prefeito Aloísio Campos, sede da Prefeitura de Aracaju. Em frente à sede a perspectiva é que seja realizado um protesto para cobrar da administração o pagamento dos empregados dentro do mês, e não de forma fragmentada como fora feito este mês. Segundo a direção do Sindicato dos Trabalhadores da Administração Indireta do Município de Aracaju (Seame), entre as atividades a serem paralisadas está o programa ‘Rodando no Macio’, que visa tapar buracos; além dos serviços de terraplanagem e drenagem em canteiros de obra.
Para Marcos dos Santos, os trabalhadores municipais e estaduais estão enfrentando longo período de dificuldade com as atuais gestões, mas, mesmo diante de um possível caos administrativo avaliado pelos servidores estaduais, profissionais que atuam para o governo municipal dizem enfrentar problemas piores. "Isso acontece porque no estado pelo menos houve uma divisão do salário. Quem recebeu dois mil reais de cara já pode pagar algumas contas de urgência, mas na prefeitura não! Alguns receberam o salário todo e outros não. Nem um real sequer. Nós somos menos importante que os outros, é isso? Por isso vamos parar essa sexta e queremos ouvir do prefeito alguma saída para essa situação. Só espero que ele não corra assim como faz em debates eleitorais", disse.
Para o presidente do Seame, Cláudio Leite, toda a categoria está insatisfeita não apenas com o cenário vivenciado entre julho e agosto deste ano. Conforme avaliação feita pelo sindicalista, há mais de quatro meses os salários são efetuados com atraso ou de forma parcelada. "Levamos a proposta de paralisação para ser analisada em assembleia e a categoria decidiu unanimidade pela realização de uma paralisação de 24h a partir de hoje com uma marcha saindo do núcleo operacional da Emurb até a prefeitura. Infelizmente esse já é o quarto mês que persiste essa situação e não sabemos o porquê, mas somos os últimos a receber", destacou.
Ainda segundo a diretoria do Seame, apenas no último dia útil do mês foi confirmada a antecipação do pagamento do vale transporte e vale alimentação. "O nosso salário atrasou mais uma vez, mas é preciso deixar claro que o aluguel das nossas casas não espera, a fatura do cartão menos ainda e muitos trabalhadores estão com suas obrigações em atraso, pagando multas e juros por causa de um desgoverno municipal", pontuou.
A Assessoria de Comunicação da Emsurb informou que os efeitos da paralisação serão mínimos no órgão. Essa perspectiva é baseada em garantias feitas por profissionais terceirizados, inclusive da empresa Torre, que afirmaram não ter interesse em aderir ao movimento.


