Milton Alves Júnior
Policiais do Batalhão Especial de Seguran- ça Patrimonial (BESP) foram designados na manhã de ontem pelo Governo do Estado de Sergipe, por intermédio da Secretaria de Estado da Saúde (SES), para assumir todo o processo de monitoramento e fiscalização do Hospital de Urgência de Sergipe (Huse). A medida adotada em caráter emergencial ocorreu depois que um grupo de aproximadamente 300 vigilantes da empresa Sacel – responsáveis por realizar esse serviço – decidiram cruzar os braços por tempo indeterminado. O motivo pelo impasse gira em torno do atraso de quatro meses no repasse das verbas contratuais. Em ato público realizado na manhã de ontem em frente ao Huse, os manifestantes enalteceram que a empresa vinha quitando os direitos trabalhistas.
Esse repasse constitucional deixou de ser cumprindo automaticamente após a Sacel ter contabilizado mais de 120 dias de atraso. Conforme destacado pela direção do Sindicato dos Vigilantes do Estado de Sergipe (Sindivigilantes), os serviços protagonizados pelos vigilantes permanecerá sob ação do BESP até que os impasses travados com a Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz), permaneçam. Além do Huse, as unidades: Maternidade Nossa Senhora de Lourdes e hospitais de Nossa Senhora da Glória, Estância, Nossa Senhora do Socorro e Nestor Piva, também estão sem a presença dos trabalhadores terceirizados. Por meio de comunicado oficial o proprietário da empresa Sacel, Antônio Vasco, informou que até a tarde de ontem não havia sido convidado para participar de reuniões com a SES a fim de discutir o montante em atraso.
Nas planilhas contábeis do grupo empresarial é possível se deparar com um atraso milionário. Sobre as perspectivas de acerto de contas, Antônio Vasco esclareceu que: "houve foi que, há mais de seis meses, o Ministério Público [Estadual (MPE/SE)] vem pedindo uma proposta e eles mandaram ao MP uma oferta de pagamento somente de R$ 500 mil dia 22 de novembro e mais R$ 500 mil no dia 22 de dezembro. Desde então não houve nenhum avanço." A continuidade desse impasse tem gerado preocupação à classe trabalhadora. De acordo com Hélio Rocha, porta-voz sindical, enquanto empresários e gestores públicos seguem sem entrar em acordo, centenas de famílias permanecem enfrentando os mais variados exemplos de problemas financeiros. Em nome da categoria ele pede intervenção dos órgãos públicos de fiscalização.
"Seja o Ministério Público Estadual, o Tribunal de Justiça, enfim, precisamos do apoio desses órgãos para que possam ajudar a resolver esse problema e ajudar na diminuição dos problemas que pais e mães de famílias estão enfrentando. Espero que isso não demore porque a categoria está disposta a permanecer com as atividades paradas até que a quitação dos nossos direitos seja realizado", afirmou. Durante a mobilização foi destacado ainda o relacionamento cordial realizado entre a categoria e a empresa. "A Sacel informou que há quatro meses vem cumprindo a folha de pagamento, mas que agora não conseguirá pagar até receber. Já a secretaria de saúde diz que não há previsão de pagamento. Desse jeito não tem paciência que ature tamanho descaso público para com o cidadão trabalhador", concluiu o sindicalista.
Contraponto – A Secretaria de Estado da Saúde informou que lamenta a paralisação da categoria por enaltecer que vai cumprir com as orientações apresentadas pelo Ministério Público Estadual, e quitar o débito milionário ainda dentro deste ano de 2019. Enquanto os vigilantes permanecerem com as atividades paralisadas, 25 policiais do BESP permanecerão promovendo o sistema de segurança das unidades de saúde.


