Milton Alves Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br
Menos de 24 horas após a entrega das casas do conjunto José Eduardo Dutra, no Porto Dantas, em Aracaju, invasores começaram a ocupar imóveis ainda inacabados e a causar tumultos com os populares que já estavam legalmente em posse das chaves. Segundo a Polícia Militar, um grupo de moradores que se apresentam como sem teto se aproximou do local durante a madrugada e decidiu ocupar as casas ainda não entregues. Diante da possibilidade de conflitos, o comando da PMSE tenta desde a manhã de ontem convencer os invasores a deixar o local sem a necessidade da força operacional.
Com a intervenção, um grupo se rebelou e seguiu em marcha até a ponte que interliga os municípios de Aracaju e Nossa Senhora do Socorro, onde promoveu a interdição da via em ambos os sentidos por mais de uma hora. Durante o ato foram utilizados pneus e madeiras para uma barreira de fogo. Após o protesto, os manifestantes garantiram permanecer resistindo contra a não concessão de casas para as demais famílias que pleiteavam casas do programa nacional de habilitação. No momento da invasão os responsáveis pela ocupação promoveram depredação e vandalismo nas casas recém construídas. Portas e janelas foram destruídas.
Durante o conflito gerado duas pessoas foram detidas e encaminhadas para a Delegacia Plantonista. Após serem ouvidas foram liberadas. Para Maria Sandra, que diz reivindicar uma casa há mais de dez anos, o sorteio dos imóveis foi feito de forma equivocada e o poder judiciário de Sergipe deve intervir a favor dos mais necessitados. Mãe de sete filhos e avó de dois, ela garantiu que pretende continuar invadindo outras casas até que os governos lhe concedam um imóvel.
"Tem muito tempo que estamos pedindo nossa casa e quando ela sai, vai logo para pessoas que começaram a pedir do ano passado pra cá. Como é que o governo quer que a gente fique? Sorrindo é? Pois é preciso deixar bem claro que a gente não vai arredar o pé daqui. Só vamos sair quando as nossas casas forem liberadas para a gente entrar e morar com nossa família", avisou Maria Sandra. Sobre a atuação dos policiais, ela informou que não havia necessidade de prisão, já que os acusados de promover baderna estavam apenas reivindicando um direito, assim como os demais. "Se fosse assim era pra prender todo mundo porque até eu estava na manifestação", pontuou.
Em contraponto o major Flavio Artur, da Tropa de Choque e responsável por coordenar a operação, garantiu que todas as atividades foram realizadas dentro da normalidade junto aos populares que respeitaram a ordem de agir com respeito à Constituição Federal. O militar garante que não houve abuso do efetivo. "Ao chegarmos na ponte conversamos com os líderes do movimento e eles decidiram sem nenhum conflito deixar a pista. Esperamos que a normalidade no bom diálogo possa permanecer pelos próximos dias", disse. A obra, segundo o Governo do Estado, já foi concluída e ao todo foram entregues 500 casas. Apesar da conclusão das ações na tarde de ontem, a Polícia Militar permanece atenta ao local.
Essa medida tem como objetivo precaver outras invasões, já que os próprios manifestantes afirmaram permanecer com a resistência.


