Sergipano mantém a tradição

Milton Alves Júnior
miltonalvesjúnior@jornaldodiase.com.br
Até às 17h de hoje a perspectiva é de grande movimento de clientes na Central de Abastecimento de Alimentos (Ceasa) e no Mercado Albano Franco. Com vendas de alimentos típicos em baixa – se comparado ao mesmo período dos últimos anos, vendedores de milho, amendoim, coco e os tradicionais licores torcem para que mais uma vez os sergipanos tenham deixado as compras alusivas à véspera de São João para a última hora. Dispondo de alimentos com boa qualidade e preços que tendem a agradar os consumidores, os comerciantes do centro histórico de Aracaju esperam vender apenas no dia de hoje 50% do que foi comercializado ao longo dos últimos 15 dias.

Para Luís dos Santos, natural de Carira e vendedor de milho desde os 16 anos de idade, o cliente que ainda não adquiriu o produto pode se dirigir até o mercado que vai se deparar com vários tipos de espigas especiais para cada tipo de prato junino. Na tarde de ontem seis espigas estavam sendo repassadas por R$ 5. "Temos aqui milho bom para canjica, pamonha, bolo, para cozinhar e para assar. Quem acha que milho é uma coisa só está enganado. Ainda temos muita oferta, mas quero chegar meio dia sem mais nada aqui para repassar. Parece que a crise bateu no bolso dos fregueses, mas quero mesmo que tenham deixado as compras aqui para o último dia", disse.

Os comerciantes de fogueira de madeira seguem no sentido contrário e acreditam na boa venda nesta véspera de São João. Garantindo estarem prontos para esvaziar o estoque de fogueiras já a partir das 05 horas de hoje, os vendedores alegam que o aquecimento das vendas só acontece nos dias 23 e 28. Na avaliação feita por Manuel de Azevedo, a resposta para as compras minutos antes do início oficial dos festejos está na facilidade de logística e de armazenamento das lenhas. Comprar fogueiras antes ou no dia não vai interferir no resultado final.

"As pessoas deixam pra comprar hoje porque não precisam preparar a fogueira e também porque na maioria dos casos já pegam aqui e botam na porta de casa. Não precisam estar guardando no quintal ou na varanda, mais prático deixar pra hoje e por isso que acredito muito em boas vendas", afirmou. Em contrapartida, já que esses símbolos juninos não necessitam de cuidados semelhantes à culinária, Manuel fez um destaque para o aumento no número de encomendas. Só para esta quinta-feira foram 18 unidades médias e três de grande porte vendidas com antecedência. No ano passado foram 16 no geral.
"Isso é bom porque a pessoa garante a fogueira e nós vendedores também já garantimos aquele lucro. Essa tem sido uma alternativa boa para todo mundo e que tem crescido muito de 2013 pra cá. Espero que no São Pedro seja assim também. É bom correr pra não ficar sem ou ter que comprar um modelo que não desejaria", pontuou. Em Aracaju não é difícil se deparar com montanhas de fogueiras. Os principais pontos são: Praça da Cruz Vermelha, Ceasa, bairro Coroa do Meio e no conjunto Augusto Franco – local este que reúne a maior variedade e oferta do produto.

Fogos – Devido ao alto risco de incêndio, os tradicionais fogos de São João seguem sendo comercializados legalmente em pontos predeterminados por órgãos públicos de segurança e fiscalização. Na capital sergipana barracas credenciadas foram instaladas na Avenida Maranhão, no Conjunto Augusto Franco próximo à ponte nova, e na já tradicional praça de fogos instalada há décadas no bairro Coroa do Meio. Por lá, o movimento tem sido intenso desde o último domingo e assim deve permanecer até o início da noite de hoje. Facilidades nos pagamentos e preços acessíveis têm conquistado os clientes.

"Mesmo com toda essa crise e no ano passado ter sido ano de copa no Brasil, relativamente estamos vendendo mais. Isso também acontece porque ampliamos a carta de cartões que aceitamos, e, para alguns conhecidos clientes, aceitamos até cheques pré-datados para 30 e 60 dias a depender da quantidade", disse a vendedora Anamara Vasconcelos. Questionada quando às pechinchas e descontos para quem opta por pagamentos à vista, ela concluiu dizendo: "em tempos de dificuldade financeira, receber à vista é um presentão. Por esse motivo nós também estamos dando até 10% de desconto em dinheiro ou em aquisição de outros produtos com o valor calculado".

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