Monique Oliveira
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Uma pesquisa realizada pela Ong Viva Rio, em parceria com a Subcomissão de Armas do Congresso e apoiada pelo Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci), mostra que estão nas mãos de civis em Sergipe mais de58 mil armas de fogo, sendo que apenas 23.824 são registradas no Sistema Nacional de Armas da Polícia Federal em Sergipe (Sinarm).
De acordo com o coordenador do Comitê Sergipano do Desarmamento em Favor da Paz, Fábio Costa, em números proporcionais isso representa 2,8 armas por 100 habitantes. "Ter uma arma dá a falsa ideia que protege ou defende, o que não é verdade, pois 67% das pessoas portando arma são presas por homicídios no Brasil, e isso não é diferente aqui no Estado de Sergipe. Elas são pessoas que nunca tiveram passagem pela polícia, com isso pressupõe que é uma pessoa de boa índole", colocou Costa.
Outro dado interessante revelado pelo coordenador é que a maioria dos jovens com faixa etária entre 18 a 24 anos, negros e a maioria carentes, são os que mais matam em Sergipe. Além disso, Fábio Costa informou que os bairros com maiores taxas de homicídios em Aracaju são o Santa Maria, Mosqueiro e Santos Dumont. Já os municípios mais violentos são Barra dos Coqueiros e Itabaiana. Aracaju está em 5º lugar, segundo o Instituto Sangari. "A maioria dessas mortes são cometidas contra egressos do Sistema de
Presidiários de Sergipe. Ou seja, aqueles que estavam envolvidos com drogas, por exemplo".
Com relação ao recolhimento voluntário de arma de fogo, o que deixa Sergipe como o segundo do Nordeste e o terceiro do Norte/Nordeste, Fábio Costa parabeniza o trabalho da Secretaria de Segurança Pública (SSP), quando no ano de 2012 apreendeu mais de duas mil armas e recebeu voluntariamente mais de 400.
Porém, acredita que para diminuir os índices de violência e a circulação de armas de fogo seria necessário a criação de mecanismos para se montar estratégias, como priorizar o policiamento comunitário e a criação do Gabinete de Gestão Integrada (GGI) e o Gabinete de Gestão Operacional (GGO). "Atualmente a PM não está mais trabalhando com a filosofia de Policia Comunitária, e sim fazendo policiamento de repressão e não de prevenção. Isso é um retrocesso", lamentou o coordenador.
PF – Com relação aos dados divulgados pela Ong Viva Rio, em parceria com Pronasci, o delegado da Polícia Federal (PF), Sidney de Oliveira Atis, desconhece os números, mas não contrapõe. "Não sei como uma Ong pode ter esses dados, mas também não vou contestar", frisou o delegado, acrescentando que em 2012, 127 armas foram liberadas para a compra, ou seja, o cidadão pode adquirir.
Até o momento, a Campanha Nacional do Desarmamento já recebeu, em âmbito federal, 53.351 armas, e o total dos valores pagos a quem entregou os armamentos soma mais de R$ 4,7 milhões. No ano de 2011, a PF arrecadou 246 armas. Já em 2012 os números caíram para 112 armas. O delegado da PF explicou que as maiores arrecadações ocorreram no início da campanha que é ininterrupta.
Para fazer a entrega da arma basta que a pessoa entre no site www.entreguesuaarma.gov.br, preencher um formulário com algumas informações básicas sobre a arma. Com esse papel em mãos a pessoa vai até a delegacia e entrega a sua arma. Em 24 horas a pessoa já pode ir diretamente no banco e recolher o seu dinheiro que varia de R$ 100 a R$ 300 pela entrega voluntária da arma.


