Milton Alves Júnior
Servidores da Universidade Federal de Sergipe (UFS) se reuniram na manhã de ontem no campus São Cristóvão para protestar contra os cortes anunciados na semana passada pelo Governo Federal. Com as atividades parcialmente suspensas, a classe trabalhadora ameaça deflagrar greve unificada e por tempo indeterminado caso o poder executivo federal não retroceda às propostas, e busque intensificar as ações que proporcionem progressos reais ao ensino superior. A mobilização foi promovida pelo do Sindicato dos Servidores da Universidade Federal de Sergipe (Sintufs), e recebeu o apoio de acadêmicos e professores da instituição superior. Preocupados com o futuro da UFS, os manifestantes lamentam que o presidente Michel Temer tenha concordado com o corte de R$ 4,3 bilhões no orçamento anual.
Ainda sem saber integralmente quais os prejuízos a serem gerados por esta medida já a partir do próximo mês de setembro, os sindicalistas pleiteiam uma audiência extraordinária com gestores da universidade. A perspectiva é que o reitor Angelo Antoniolli possa receber representantes das categorias atuantes na UFS e apresente as informações pleiteadas. De acordo com a coordenadora do Sintufs, Bryane Araújo, toda a comunidade universitária precisa ter conhecimento deste pacote de medidas oficializadas pelo Ministério da Educação (MEC). O receio dos funcionários é que este corte financeiro tenha sido aprovada para quitar dívidas públicas de bancos, bem como pagar os parlamentares para aprovação das reformas trabalhistas e previdenciária.
“Não só isso, como também para aprovar a lei da terceirização. Pedimos encarecidamente que o reitor entenda que estamos preocupados com o futuro da UFS e nos receba para apresentar todas as informações deste corte lamentável. A ponte do futuro prometida por Temer na realidade não vai para lugar nenhum; ou melhor, vai sim: vai para o passado. Percebemos quando um governo não trabalha em prol do povo quando os gestores começam a cortar os investimentos na educação”, protestou. Em contraponto a direção da universidade informou que é preciso cautela, já que, até o momento a UFS tem conseguido manter em dia o pagamento de serviços contratados, de modo que todos os serviços essenciais foram mantidos.
“A dotação orçamentária liberada pelo MEC corresponde, até o momento, a 70% das despesas de custeio e aproximadamente 50% das despesas de capital. Caso não haja liberação integral de 100% do limite orçamentário relativo a custeio, haverá, inevitavelmente, sérios problemas de execução de despesas de energia, bolsas, pessoal terceirizado (limpeza, segurança, apoio operacional etc). A informação repassada extra oficialmente pelo MEC é de um contingenciamento de 15% dos recursos de custeio e de 40% dos recursos de capital. Todas as instituições estão aguardando a definição oficial, sob pena de comprometimento de parte considerável das atividades de manutenção das Universidades Federais, a partir dos meses de setembro e outubro do corrente ano”, comunicou a instituição por meio de nota.


