Milton Alves Júnior
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Mais um ato público unificado foi realiza-do em Aracaju com o propósito de pleitear junto ao Governo de Sergipe melhoria emergencial das políticas públicas, nas condições de trabalho, mais respeito e valorização dos servidores do governo e reajuste salarial acima do índice inflacionário que alcançou este ano a casa dos 8,8%. Representantes de 23 categorias ligadas à Central Única dos Trabalhadores (CUT) e à Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) estiveram presentes na mobilização que foi realizada na Praça Camerindo, centro da capital. Entre os grupos de manifestantes estavam líderes sindicais do poder judiciário, bancários, agentes e profissionais de saúde, além do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado de Sergipe (Sintese).
Como forma de mostrar apoio à luta da classe trabalhadora, dezenas de estudantes da rede estadual também se deslocaram até a praça para exigir ampliação no número de professores, auxiliares administrativos, serventes e agentes de vigilância. Estes grupos foram formados por adolescentes que na semana passada promoveram uma série de manifestações em várias regiões do Estado. O movimento unificado registrou, também, a presença de funcionários do Departamento Estadual de Trânsito (Detran), que paralisaram as atividades por 24 horas no dia de ontem. O foco da interrupção dos serviços foi protestar contra a demora da direção do órgão para implementar o plano de cargos, carreiras e vencimentos (PCCV).
Mostrando-se insatisfeito com a atual conjuntura administrativa vivida pela classe trabalhadora no Estado de Sergipe, o servidor Lucas Campos disse apoiar todos os atos públicos e pediu o apoio da população. Durante a manifestação integrantes do Sindicato dos Trabalhadores do Detran (Sindetran) anunciaram nova suspensão dos serviços pré-agendado para amanhã. "Estamos participando também desse ato porque não podemos deixar de lutar por direitos que são garantidos por lei, independente de o país estar passando por alguma crise econômica ou política. Paramos nessa terça, e na quinta vamos suspender novamente as atividades como forma de pressionar o governo. É fácil criticar nossas paralisações e não pagar o que deve. Esperamos que a população se solidarize com a nossa causa", afirmou.
Outra crítica apresentada pelo movimento coletivo, que contou com o apoio de 23 categorias, referiu-se às reuniões realizadas com o vice-governador Belivaldo Chagas e secretários de estado da Educação, Planejamento e Governo, Fazenda e Sergipe Previdência. A professora Aline Pompeu avaliou as reuniões como uma forma desprezível e vergonhosa adotada pelo governador na tentativa de minimizar a fúria dos trabalhadores. "Em momento algum nós decidimos vir às ruas para poder prejudicar os pacientes, contribuintes ou estudantes, como é o nosso caso. Se estamos unidos nessa praça é porque precisamos lutar por nossos direitos. Belivaldo nos convocou para uma reunião no Palácio dos Despachos, mas só relatou a atual situação econômica do país. Nosso piso é lei e ele deve ser cumprido", declarou.
Na avaliação do jurista Eribaldo Cardoso, essa postura do governo mostra interesse em trabalhar em equipe, mas nada apenas na conversa vai resolver os impasses esfarpados entre trabalhadores e gestores.
"Isso raramente aconteceu aqui em Sergipe. Nos chamar para conversar três vezes em menos de dois meses no palácio do governo foi uma surpresa boa para nós que não estamos nada satisfeitos com as últimas ocorrências. Apesar desse ponto bacana, não há como esquecer os nossos benefícios que são constitucionais e que estão amarrados assim como o PCCV. Pra piorar a situação essa divisão do salário veio para atrapalhar ainda mais o nosso relacionamento", avaliou. Quanto à divisão salarial, o Estado garantiu que este mesmo problema foi enfrentado por 11 unidades federativas nos últimos dois meses. As secretarias da Fazenda e Planejamento e Gestão não descartam a possibilidade de promover outras divisões até o final deste ano.


