Kátia Azevedo
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Em greve que completa dois meses nesta terça-feira, os profissionais do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) ocuparam na manhã de ontem o prédio da Secretaria de Estado da Saúde (SES) com o objetivo de pressionar a abertura de um canal de negociação com o governo.
Com faixas e cornetas, condutores de ambulâncias, enfermeiros, técnicos em enfermagem, telefonistas, operadores de rádio e funcionários administrativos das unidades móveis de urgências promoveram um apitaço no pátio de entrada do prédio.
Os manifestantes também gritavam palavras de ordem pedindo a presença da secretária de Estado da Saúde, Joélia Silva Santos, para que recebesse os servidores. Eles ressaltaram que a gestora se comprometeu em se reunir com a categoria no início de março para discutir as reivindicações, o que não aconteceu.
Os protestos iniciaram logo cedo, a partir das 6h30. Os servidores montaram uma tenda em frente ao prédio do órgão na Praça General Valadão e promoveram um grande protesto no local. "Só sairemos daqui depois da secretária de Saúde nos receber. Já são 60 dias em greve e o governo ainda não chamou a categoria para apresentar uma proposta. Queremos o diálogo. A abertura de um canal de negociação é uma das reivindicações da categoria", disse Adilson Ferreira, presidente do Sindicato dos Condutores de Ambulância do Estado de Sergipe (Sindiconam).
Os servidores reivindicam melhores condições de trabalho, além de um reajuste de cerca de 21%, que representa a reposição inflacionária do período de 2012 até agora.
De acordo com a categoria, o salário atual de quem trabalha no Samu é de R$ 622 e tem gente que recebe bem menos que isso, por conta dos descontos. Eles reclamam que a mesa de negociação aberta com o Estado em 2012 foi fechada pelos governantes sem resolver o problema e nem ouvir os profissionais.
Outro problema enfrentado é a condição de uso dos veículos que prestam atendimento à população. Segundo a direção do sindicato 59 viaturas e 4 motolâncias são destinadas ao serviço de socorro em todo o estado de Sergipe e grande parte sucateada.
A categoria ressaltou que os veículos estão abandonados pelo Governo e que os servidores desempenham as atividades com constante falta de Equipamentos de Proteção Individual (EPI). "Diante de tantos problemas a categoria chegou ao limite", diz um samuzeiro. Os servidores também contestam a alegação do governo sobre o limite prudencial estabelecido pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) que condiciona o pagamento de reajuste à gestão de despesas com pessoal.
Os servidores lembraram que o governo já saiu no limite prudencial e que é preciso buscar alternativa para ofertar melhorias salariais e de trabalho. Além da abertura de um canal de negociação com o governo, eles também reivindicam por isonomia da jornada de trabalho e discussão sobre a situação dos trabalhadores que sofreram mudanças com a fusão do Samu.
Enquanto não há um acordo, a oferta do serviço prestado pelo Samu continua restrita. Desde o início da greve, no dia 27 de março, as escalas foram montadas com 50% da frota trabalhando, mais do que a lei exige que é de 30%, mas ainda insuficiente diante da grande demanda de atendimento.
A manifestação contou também com a participação de representantes do Sindicato dos Trabalhadores na Área da Saúde no Estado de Sergipe (Sintasa), Sindicato dos Enfermeiros de Sergipe (Seese) e Central Única dos Trabalhadores (CUT).


