Servidores federais promovem novo protesto em Aracaju

Milton Alves Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

Há quase 100 dias em greve, servidores pú-blicos da Universidade Federal de Sergipe (UFS) e do Instituto Federal de Sergipe (IFS) voltaram a se manifestar na manhã de ontem e interditar parcialmente ruas e avenidas da capital sergipana. Mais uma vez, os grevistas tinham como principal objetivo pressionar o Governo Federal para que seja aprovado o reajuste salarial linear de 27,3% de acordo com as perspectivas da inflação, além de qualificar as atuais condições de trabalho e ampliação no quadro de funcionários públicos. O Ato contou com o apoio de servidores do Ministério da Saúde, Ministério do Trabalho, além de trabalhadores do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS).
Durante a caminhada realizada ontem, que ocorreu de forma paralela a mais um encontro do Fórum dos Servidores Públicos Federais e o Ministério do Planejamento, em Brasília, o Sindicato dos Trabalhadores Técnico-Administrativos em Educação da UFS (Sintufs), destacou que a universidade enfrenta sérios problemas estruturais, inclusive no atual quadro de funcionários que hoje apresenta um déficit superior a mil servidores. Para Lucas Gama Lima, presidente sindical, a paralisação que contabiliza hoje 97 dias se estende em razão de uma possível intransigência do governo. Para evitar que a suspensão das atividades não seja prolongada, a classe trabalhadora exige que canais de diálogo sejam abertos junto a apresentações de contrapropostas que satisfaçam a todos.
"O que podemos reafirmar para a população, em especial para aqueles que integram a Universidade Federal de Sergipe, é que se por um acaso o governo tivesse apresentado uma proposta convincente para a gente, desde o início, ou mostrasse interesse em continuar discutindo com progresso os nossos pleitos, certamente nós já teríamos encerrado a greve. Mas até o momento não houve nada de relevante, e nem possuímos previsão", lamentou. Durante a caminhada ficou claro também que as categorias reprovam a postura do Governo Federal que, em uma possível tentativa de minimizar os gastos com folha salarial, e conseguir pagar parte das dívidas, estaria demitindo funcionários sem justa causa de diversos setores públicos em todos os estados da nação.
Os manifestantes destacaram que essa não é a solução para combater os débitos administrativos, e, caso a situação permaneça, não está descartada uma paralisação geral e por tempo indeterminado em vários estados brasileiros, incluindo a capital Brasília. Durante toda a mobilização o grupo foi acompanhado por agentes da Polícia Militar, Guarda Municipal de Aracaju, e Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito (SMTT). Diante da falta de avanço nos diálogos, os sindicalistas já garantiram presença no 21º Grito dos Excluídos, a ser realizado na próxima segunda-feira, 07. A meta dos trabalhadores é fortalecer o movimento, solicitar o apoio de centrais trabalhistas, além de pleitear o apoio da população e dos oito deputados federais pelo Estado de Sergipe que atuam no Congresso Nacional.
Ainda pelo Sintufs foi destacado que membros da Associação dos Reitores informaram na mídia nacional que o corte orçamentário de 45% pode ter sido maior nos últimos meses, ou seja, o Governo Federal através do Ministério da Educação e da Fazenda estaria promovendo reduções de custos superiores à porcentagem anunciada. Diante desta crise econômica esclarecida pelo Governo Dilma, outros serviços públicos promovidos na instituição de ensino podem ser parcialmente suspensos em decorrência da falta de pagamentos de itens básicos. "Além disso, as obras de ampliação da universidade estão prejudicadas por falta de verba. Não estamos citando nenhuma mentira ou ampliando o caos, basta qualquer um ir até a universidade e verificar de perto a situação", pontuou Lucas Gama.

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