Milton Alves Júnior
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Servidores de oito categorias da área de saúde, lideradas pelo Sindicato dos Trabalhadores na Área da Saúde do Estado de Sergipe (Sintasa), estiveram reunidos ontem à tarde com o secretário estadual de Planejamento, João Augusto Gama, com o qual discutiram a criação imediata do Plano de Carreira, Cargos e Vencimentos (PCCV). A reivindicação tem motivado boa parte das paralisações ocorridas no setor durante os últimos meses.
Sem conquistar êxito nos debates técnicos realizados anteriormente, o Sintasa moveu uma ação judicial contra o Governo do Estado por conta da falta de reajuste salarial em 2013 para os servidores da Saúde, e realizou um ato público na quinta-feira passada. Segundo cálculos feitos pelo Estado, a reivindicação foi apresentada no início do ano passado. Já por parte dos trabalhadores, a indicação é que o plano de carreira é debatido desde 2008.
Antes da reunião ter iniciado, o presidente do Sintasa, Augusto Couto, avaliou que, após a troca de secretários na pasta do Planejamento, Orçamento e Gestão (Seplag), promovida recentemente pelo governador Jackson Barreto (PMDB), as negociações tem apresentado singelos, porém, contínuos avanços. Se dizendo esperançoso com o decorrer dos acordos a serem firmados ainda neste mês, o sindicalista disse que, diante da Constituição Federal e da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), todos os benefícios só podem ser atribuídos aos funcionários públicos até o dia 5 de abril, pois se trata de um ano eleitoral.
Questionado quanto à perspectiva de uma nova paralisação, Couto não descartou este indicativo. "Depois de seis anos, felizmente posso dizer que essa é a primeira vez que um secretário da Seplag parece interessado e disposto a atender a nossa reivindicação. Avaliamos que o debate está fluindo a nosso favor, agradecemos essa demonstração de respeito por parte de Jackson, mas não descartamos a possibilidade de greve caso o processo não ande", disse.
Já o vice-presidente do Sindicato dos Médicos de Sergipe (Sindmed), José Menezes, acrescenta que é preciso agilidade por parte do governo para resolver a questão até abril. Para ele, o adiamento ou não implantação do PCCV até abril resultaria em mais um ano de ‘derrota’ para os servidores públicos. "Depois o governo vai dizer que o Tribunal Regional Eleitoral não permite que dê aumento. Isto aconteceu conosco no ano de 2006, quando João Alves Filho ainda era o governador de Sergipe", afirmou Menezes.
Também presente na reunião, o Sindicato dos Enfermeiros de Sergipe (Seese) assegurou que a meta dos profissionais é continuar pressionando e mostrando ao Governo do Estado toda a insatisfação da área da Saúde, que permanece sem ter seus respectivos apelos atendidos pelo governo. Antes de iniciar a reunião oficial, um grupo de enfermeiros se aglomerou na área externa da sala de reunião e reforçou a importância de todos os profissionais continuarem unidos em prol de vitórias na campanha do PCCV.
"Mais uma vez estamos aqui na tentativa e na luta por nossos direitos, mas para que esse benefício profissional possa nos ser realmente atribuído precisamos nos manter cada vez mais unidos. Sem o apoio dos nossos próprios colegas e das demais categorias, fica difícil vencer a batalha. A gente vinha tentando há um bom tempo e não se tinha uma continuidade, mas estamos unidos e se a intenção do Governo era nos desmobilizar o tiro saiu pela culatra", declarou a presidente Flávia Brasileiro.


