Milton Alves Júnior
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Com salários atrasados e sem reajuste financeiro, servidores da saúde ligados à Prefeitura de Aracaju realizaram na manhã de ontem a primeira edição do ‘Forró do João Sem Solução’, neste ano de 2016. A sátira, direcionada ao prefeito João Alves Filho, contou com a participação de profissionais de 12 categorias diferentes que, desde a última quarta-feira, 01, estão em greve por tempo indeterminado. Conforme lamentações da classe trabalhadora, a atual gestão apresentou um reajuste salarial de 8% para todos os servidores públicos, com exceção daqueles que atuam em postos de saúde e unidades de apoio às famílias por meio do Sistema Único de Saúde (SUS). O ato grevista foi realizado na entrada principal do Centro Administrativo Aloísio Campos.
A recepção por parte da administração da capital não foi das mais atraentes. Posicionados de forma estratégica e com armas de fogo, agentes da Guarda Municipal (GMA) impediam a entrada dos servidores na sede administrativa. Às 9h30, os agentes se direcionaram ao grupo e determinaram o fim do movimento. A recomendação, que não foi atendida, serviu apenas como impulso para agravar os protestos. Com a permanência da greve, o efetivo funcional segue com apenas 30% – número mínimo exigido na Constituição Federal.
Paralelo à redução das escalas plantonistas, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) estima que cerca de quatro mil atendimentos deixem de ser realizados todos os dias nas mais de 80 unidades administradas pela prefeitura. Sobre o atraso salarial referente ao mês de maio, os sindicalistas foram informados que a classe apenas deve receber o que é de direito no próximo domingo, dia 12. A inconstitucionalidade do fato faz acender a luz vermelha destes mesmos profissionais que vêm sofrendo com os sucessivos atrasos. Em janeiro deste ano, por exemplo, o pagamento só foi debitado em conta bancária no dia 21; ou seja, 16 dias a mais do que exige a legislação brasileira.
A presidente do Sindicato dos Enfermeiros (SEESE), Shirley Morales, informou que os profissionais continuarão mobilizados até o momento em que a atual gestão pública de Aracaju decida atender ao pleito que foi apresentado no último trimestre de 2015. "Privatizar o Forró Caju e não pagar os nossos salários João Alves sabe fazer. Propaganda enganosa dizendo que o atendimento de saúde ‘é um brinco’, ele também sabe fazer, mas quando é para nos atender e trabalhar para qualificar o serviço ele foge. Desde o ano passado estamos tentando uma audiência com o prefeito e ele não nos atende por isso que estamos aqui mobilizados nesse arraial da ‘sofrência’", lamentou.
Entre as 12 classes trabalhadoras envolvidas na greve geral estão os enfermeiros, assistentes sociais, dentistas, farmacêuticos, psicólogos, técnicos auxiliares, fisioterapeutas, otorrinos, nutricionistas e agentes de combate às endemias. Atualmente apenas os postos de urgência e emergência Nestor Piva – localizado na zona Norte, e o Fernando Franco – no conjunto Augusto Franco, estão conseguindo minimizar ainda de forma paralela os significativos efeitos da greve.


