Rian Santos
rianclangodoido@yahoo.com.br
Eu conheço o meu lugar.
Sei também de suposta
ordem natural, adotada como Lei pelos homens: mandar, para quem pode; obedecer, o remédio amargo de quem tem juízo. Nem assim, contudo, estava preparado para a sina lascada de Teodoro. ‘Uma jornada como tantas’, o romance mais recente de Francisco J C Dantas, tem a mesma força revoltante das covardias do mundo real, um tiro pelas costas, um soco desleal na boca do estômago.
A rigor, o dito cujo romance pouco acrescenta ao inventário dos personagens criados antes pelo autor. ‘Uma jornada como tantas’, o próprio título sugere, mais uma vez se atém ao que há de mais comum na experiência das pessoas de carne e osso. Afeto muito, quando a delicadeza vence a secura dos modos e floresce, improvável. Dor e sofrimento, até o limite do cansaço.
Durante os preparativos para a Festa da Padroeira num fim de mundo do interior de Sergipe, Madrinha despenca de um tamborete e desencaminha a gravidez do quarto filho. Sinha Amália, parteira afamada na região, é buscada às pressas, mas pouco pode fazer para evitar o pior. Mãe e criança precisam de cuidados urgentes, talvez disponíveis na cidade mais próxima, ou só em Aracaju.
O ano é 1954. A condição das estradas é precária. Os meios de transporte, escassos. Depois de muita relutância, resta a Teodoro, marido devotado, contar com os préstimos de Zé Carreiro para transportar a gestante exangue, aos solavancos, num carro-de-boi. Chove a cântaros. O caminho é um calvário.
Bom seria, entretanto, se as injustiças que nos igualam a todos fossem obra exclusiva de desígnios insondáveis, a proclamada vontade de Deus. No paço amarrado da comitiva, entretanto, o narrador, um menino enjeitado, sem pai nem mãe, evoca a história pregressa de cada um ali. A cada passagem lembrada e revivida na lama da estrada, uma prova infeliz de força e resignação, na qual os grandes sempre engolem os pequenos.
Desde quando se sabe de Teodoro, ele sempre andou reto, sempre na linha, pior do que um trem. E, no entanto, terminou por conhecer o destino mais triste já relatado nas páginas de um livro. Pouco interessa descrever aqui a sucessão dos acontecimentos. A sorte de Teodoro é a mesma sorte de toda a gente.
Eu conheço o meu lugar. Sei também de suposta ordem natural, adotada como Lei pelos homens: mandar, para quem pode; obedecer, o remédio amargo de quem tem juízo. Nem assim, contudo, estava preparado para a sina lascada de Teodoro. ‘Uma jornada como tantas’, o romance mais recente de Francisco J C Dantas, tem a mesma força revoltante das covardias do mundo real, um tiro pelas costas, um soco desleal na boca do estômago.
A rigor, o dito cujo romance pouco acrescenta ao inventário dos personagens criados antes pelo autor. ‘Uma jornada como tantas’, o próprio título sugere, mais uma vez se atém ao que há de mais comum na experiência das pessoas de carne e osso. Afeto muito, quando a delicadeza vence a secura dos modos e floresce, improvável. Dor e sofrimento, até o limite do cansaço.
Durante os preparativos para a Festa da Padroeira num fim de mundo do interior de Sergipe, Madrinha despenca de um tamborete e desencaminha a gravidez do quarto filho. Sinha Amália, parteira afamada na região, é buscada às pressas, mas pouco pode fazer para evitar o pior. Mãe e criança precisam de cuidados urgentes, talvez disponíveis na cidade mais próxima, ou só em Aracaju.
O ano é 1954. A condição das estradas é precária. Os meios de transporte, escassos. Depois de muita relutância, resta a Teodoro, marido devotado, contar com os préstimos de Zé Carreiro para transportar a gestante exangue, aos solavancos, num carro-de-boi. Chove a cântaros. O caminho é um calvário.
Bom seria, entretanto, se as injustiças que nos igualam a todos fossem obra exclusiva de desígnios insondáveis, a proclamada vontade de Deus. No paço amarrado da comitiva, entretanto, o narrador, um menino enjeitado, sem pai nem mãe, evoca a história pregressa de cada um ali. A cada passagem lembrada e revivida na lama da estrada, uma prova infeliz de força e resignação, na qual os grandes sempre engolem os pequenos.
Desde quando se sabe de Teodoro, ele sempre andou reto, sempre na linha, pior do que um trem. E, no entanto, terminou por conhecer o destino mais triste já relatado nas páginas de um livro. Pouco interessa descrever aqui a sucessão dos acontecimentos. A sorte de Teodoro é a mesma sorte de toda a gente.