Sindicatos e servidores pressionam deputados

Milton Alves Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

Servidores de várias categorias estiveram reunidos na tarde de ontem, em Aracaju, com gestores do Governo do Estado de Sergipe com o propósito de debater as propostas referentes à reforma administrativa e previdenciária apresentada pelo governador Jackson Barreto. O novo projeto de governo apresenta aos deputados estaduais medidas significativas que podem contribuir para o progresso do estado, mas para isso, precisaria obter a maioria dos votos na Assembleia Legislativa de Sergipe. Insatisfeitos com o corte de gratificações conquistadas ao longo das últimas décadas, e a extinção de órgãos como a Empresa Sergipana de Turismo (Emsetur) e Companhia Estadual de Habitação e Obras Públicas (Cehop), os servidores intensificaram as manifestações em frente à casa legislativa.

A meta, de acordo com a Central Única dos Trabalhadores (CUT), responsável por coordenar os atos e debates, era pressionar os parlamentares para que esta proposta de reforma não fosse aprovada e viesse a prejudicar a carreira de milhares de trabalhadores. Diante da representativa atuação pública, o governador decidiu convidar representantes de algumas categorias a fim de debater estas mudanças para que, ao menos desta vez, pudesse agradar aos servidores e resultar em benefícios coletivos para todos os sergipanos. Entre os secretários escalados por Jackson para o diálogo estratégico estavam: João Augusto Gama – da Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão (Seplag); Jefferson Passos – da Secretaria de Estado da Fazenda; e Zezinho Sobral – da Casa Civil.

De acordo com o presidente da CUT, Rubens Marques, o debate realizado nas dependências da Seplag foi avaliado como bastante negativo. Essa conotação repassada ao Jornal do Dia foi possível após o Governo do Estado ter se negado a retirar o projeto de votação da Alese a fim de debater as cláusulas com maior precisão. "O encontro foi negativo. Pedimos esse debate, e no dia da diplomação chegamos até Jackson. Ele marcou para a tarde desta segunda, justamente no mesmo horário que o projeto era levado para votação na Alese. Para fazer o diálogo fluir era preciso desligar a chave do trator e forçar os deputados a não votarem na proposta por enquanto, mas esse pleito não foi atendido", disse.

Impacientes com a demora no desenvolver dos debates, os sindicalistas voltaram a pressionar os secretários sobre a possível retirada do projeto. A direção da CUT entendia que, quanto mais demorasse as negociações, mais propício o projeto de reforma administrativa estaria para ser apreciado pelos deputados que marcavam presença na Assembleia Legislativa. Sem obter sucesso nos diálogos, os servidores decidiram por unanimidade abandonar a reunião. "Minutos passaram e percebemos que o debate vinha afunilando. Decidimos perguntar a Gama se o governo iria solicitar o cancelamento da apreciação. Ele disse que não retiraria a proposta e que a assembleia é independente, ou seja, iria votar independente daquela reunião. Decidimos abandonar a reunião e correr para a assembleia", afirmou Rubens.

Chegando na Alese os servidores se depararam com uma sessão repleta de trabalhadores que acompanhavam atentamente o andamento das votações. Cientes que a decisão seria tomada até a noite de ontem, a CUT decidiu já esquematizar mobilizações generalizadas que podem ser realizadas já a partir da tarde de hoje. Conforme enaltecido pelo servidor Francisco Soares, para evitar qualquer tipo de insatisfação sindical, era preciso diálogo, o que, segundo ele, ocorreu apenas nos minutos finais da apreciação parlamentar. "Se por um acaso a ideia era evitar conflito, eles não conseguiram porque mesmo a gente chamando a atenção para debater essa reforma democraticamente, ninguém se interessou em atender a nossa reivindicação. Nosso interesse era conversar, já que não teve, vamos intensificar nossa luta", declarou.

Votação – Os deputados estaduais iniciaram ontem à noite a votação dos projetos. A intenção era concluir toda a votação até a redação final. Às 21 horas, quando foi fechada esta página, os projetos haviam sido aprovados nas comissões temáticas da Assembleia.

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