Sintese dá nota 2,6 a educação. Governo não reconhece

Milton Alves Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

Na última mobilização geral de 2014, professores da rede estadual se reuniram em Aracaju para protestar contra o Governo do Estado em virtude das perdas registradas durante o ano, em especial, na última sessão plenária da Assembleia Legislativa, quando o fim do terço destinado aos docentes foi aprovado pelo voto parlamentar. Reunidos no calçadão da rua João Pessoa, centro da cidade, dezenas de professores de todas as regiões do estado aproveitaram a grande quantidade de pedestres que transitavam pela região para divulgar a média geral da educação pública. Com exceção dos professores da capital, que possuem um sindicato ímpar e filiado a outro conjunto de categorias, 74 administrações municipais e o Governo do Estado foram avaliados.

Conforme números apresentados oficialmente na manhã de ontem, o atual governo recebeu 2,6 pela educação neste ano que se conclui amanhã. Ao todo, mais de cinco mil professores participaram da votação secreta que contou com 174 urnas espalhadas por todos os municípios, através do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado de Sergipe (Sintese). Durante diálogo realizado entre os professores e os transeuntes que decidiram parar para analisar os gráficos da categoria, os manifestantes alegaram que todos os gestores foram avaliados em cinco aspectos: Valorização profissional, gestão democrática, política educacional e a qualidade social do ensino, garantia de direitos do Plano de Carreira e Estatuto, e reais condições de trabalho.

Segundo informações do Sintese, durante o período de votação, em cada tema os educadores puderam atribuir pontos que foram de zero a dois, a nota final de cada gestor será obtida a partir da soma dos pontos nestes cinco temas. Entre as notas mais baixas apresentadas estão as dos municípios de: Lagarto com 1,5; Propriá, com 1,3; Salgado e Ilha das Flores, com 1,1 cada; Riachão do Dantas, com 0,7; e São Cristóvão, com impressionantes 0,5 de aprovação. Entre as 74 cidades sergipanas pesquisadas, o registro mais satisfatório foi identificado nas escolas de Siriri, onde os docentes concederam a nota 7. Seguida de Itabaiana, com 6,7; Nossa Senhora do Socorro e Amparo do São Francisco, com 5,8 cada.

Para a professora Ângela Maria de Melo, presidente do Sintese, essa divulgação das notas detalhadas faz parte da política sindical dos docentes sergipanos, e da tradição da categoria que tem como propósito pressionar os governos, municipal e estadual, para que no ano seguinte possa trabalhar com maior foco para a educação pública. "Além de a gente divulgar esses números lamentáveis em sua grande maioria, nós fechamos o ano conversando com a população para que eles passem a ter conhecimento de outros problemas administrativos que interferem na ampliação dessas notas. Com essa mobilização conseguimos dialogar com a sociedade sobre nossas ações e sobre a política educacional que temos e a que queremos para todos os estudantes", disse.
Ainda de acordo com a presidente, este tipo de ato público precisa ser analisado com maior responsabilidade por parte do governador, prefeito e secretários de educação. Ângela acredita que, caso os administradores passem a avaliar o seguimento educacional como política pública, talvez nos próximos anos o resultado seja menos preocupante. O que incomoda os profissionais é uma possível falta de iniciativas que ajudem a aquecer esse tão esperado progresso. "Infelizmente o que de fato percebemos é que essas notas baixíssimas, onde nossa educação pública foi claramente reprovada, não vem apresentando melhoria nenhuma. O ato da Prova Final sempre é um momento importante para passarmos essa transparência para a população", pontuou a sindicalista.
 
Retrospectiva – Em 2007, primeiro ano de mandato do ex-governador Marcelo Déda, a nota final foi de 3,4; já em 2008 o governo apresentou um singelo crescimento e saltou para 3,6; na sequência a melhoria foi ainda mais positiva ao conquistar um ponto geral e obtendo 4,6. No auge do progresso da educação pública, o último ano de governo Déda em seu primeiro ano de mandato os professores registraram 5,2 – a maior nota concedida a um gestor estadual nos últimos dez anos; em 2011 a queda foi brusca, passando dos significativos 5,2 para amargosos 3; em 2012 a nota final voltou a cair e registrou 2,1. No ano passado neste mesmo período o Sintese registrou novo progresso ao apresentar 4,6.

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