Gabriel Damásio
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Mais um taxista foi vítima da violência diária que afeta os transportes coletivos da Grande Aracaju. José Jesus de Santana, 50 anos, que atuava há 10 nos táxis-lotação que circulam em Nossa Senhora do Socorro, foi assassinado por volta das 18h de anteontem, ao ser assaltado por dois passageiros e levar um tiro fatal na nuca. O crime aconteceu na entrada do Loteamento Parque dos Faróis, junto à BR-101, onde o carro e o corpo do taxista foram encontrados. A morte revoltou dezenas de colegas, que passaram a noite protestando em frente à Delegacia Plantonista (Centro) e bloquearam as ruas de seu entorno.
Segundo familiares, Santana havia trabalhado durante todo o dia e estava prestes a fazer a última corrida do dia. Dois homens deram sinal à vítima em frente a uma agência do Bradesco no Conjunto Jardim, perto da casa onde ele morava com a esposa, e pediram uma corrida até o Centro. O taxista, que tinha comprado pães, seguiu com os suspeitos, mas, ao chegar na BR-101, eles anunciaram o assalto e sacaram uma arma.
Não se sabe claramente o que teria acontecido neste instante, mas suspeita-se que Santana aberto a porta do táxi. Foi quando o bandido armado atirou na cabeça do taxista, matando-o na hora. "Ele era uma pessoa calma, tranquila, não tinha jeito de que iria reagir a um assalto. A gente acredita que, se ele reagiu, pode ter sido no intuito de fugir, sair do carro", lamenta o taxista José Amâncio Felipe, vice-presidente da cooperativa de táxis na qual Santana trabalhava.
Após o crime, os dois bandidos foram vistos fugindo à pé pelas ruas do loteamento. O carro de Santana, com a porta aberta e seu condutor morto, foi visto por conhecidos dele, que logo correram para avisar do crime à viúva. Os familiares chegaram rapidamente ao local do crime e ficaram em choque. Em seguida, chegaram soldados da Polícia Militar e da Polícia Rodoviária Federal (PRF), iniciando a busca pelos matadores. De acordo com a família, nada foi levado do carro ou dos bolsos da vítima, nem mesmo dinheiro ou objetos de valor.
Após a chegada da polícia e do Instituto Médico-Legal (IML), enquanto eram providenciadas a perícia e a liberação do corpo, dezenas de taxistas que moram ou trabalham nos conjuntos de Socorro iniciaram um cortejo até a Delegacia Plantonista, entre a Rua Laranjeiras e a Avenida Pedro Calazans. Ali, eles atravessaram seus carros e atearam fogo em pneus, exigindo a presença de autoridades da polícia. O protesto acabou ao fim da noite depois que o delegado plantonista Jefferson Alvarenga garantiu, a uma comissão de taxistas, que as investigações do crime já começaram e que a polícia já está em buscas de testemunhas. O caso será investigado pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).
Durante o protesto, uma confusão se criou entre os taxistas e agentes da Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (SMTT), os quais teriam ameaçado multar os manifestantes se eles não desocupassem as vias. Houve bastante revolta, sobretudo entre outras vítimas de assalto. "Me pegaram em Socorro, botaram um saco na minha cabeça, me trancaram no porta-malas e assaltaram quatro lotéricas com o meu carro. A polícia só me achou só as 8 e meia da noite dentro de um canavial. E agora, quando matam um colega da gente, vem esses caras da SMTT querendo multar os carros dos nossos colegas? Isso é impossível, rapaz! Estamos lutando por justiça!", dispara o taxista Waldson Lima. Mais tarde, a SMTT informou que não vai aplicar nenhuma multa aos que participaram do protesto.
Abatido – O corpo de José foi velado durante por toda a madrugada e manhã de ontem na casa da família, sendo grande o movimento de parentes, vizinhos, amigos e colegas de trabalho. Todos eles choraram a morte do taxista e se queixaram da falta de segurança que atinge a categoria. "Por falta de segurança, nosso amigo veio a falecer. Ele saiu cedo de casa pra trabalhar, sem hora pra voltar. Mais um pai de família foi abatido pela vagabundagem, pela segurança que não está tendo, principalmente aqui no Jardim. É difícil ver um carro de polícia aqui. Hoje, está valendo mais a pena ficar trancado em casa porque os vagabundos estão na rua", critica Amâncio. Santana era casado, pai de dois filhos e avô de um menino de dois anos.
Às 14h, um novo cortejo de taxistas, com mais de 100 carros, saiu do Conjunto Jardim em direção ao Cemitério São João Batista, no Castelo Branco (zona oeste), onde o corpo foi enterrado e houve mais um protesto. Segundo o Sindicato dos Taxistas de Sergipe, uma audiência da entidade com o secretário interino de Segurança Pública, João Batista Santos Júnior, foi marcada para às 11h da próxima segunda-feira, onde serão discutidas medidas para diminuir os assaltos.


