Som alto em condomínio dá briga e acaba na polícia

Gabriel Damásio

 

O volume do som em uma festa com adolescentes foi motivo para uma confusão que terminou com agressões físicas e pelo menos três pessoas feridas. O episódio aconteceu por volta das 17h30 deste domingo, em um condomínio residencial na Alameda das Árvores, no Luzia (zona sul). Os moradores do condomínio afirmam que foram agredidos pelo síndico, que alegou por sua vez ter sido hostilizado ao exigir que uma regra fosse cumprida. Uma queixa foi prestada na Delegacia Plantonista Sul (Augusto Franco) pelos pais de um rapaz que teve dois dentes quebrados durante a briga. A festa acontecia no salão do condomínio e era o aniversário do adolescente, que festejava com amigos, sendo todos entre 16 e 18 anos.

Em uma gravação divulgada nas redes sociais, à qual o JORNAL DO DIA teve acesso, o pai de um dos rapazes relatou que o síndico do condomínio, José Sandro, interrompeu a festa e quebrou o aparelho de som, aparentando estar embriagado. “Os meninos estavam ouvindo som e ele [o sindico] estava bebendo na piscina desde cedo. O cara levantou, puxou os fios, saiu quebrando o som todo. Os adolescentes foram perguntar porque ele fez isso e ele saiu dando murro em todo mundo. Depois, a mãe do aniversariante foi falar com ele, ele deu um chute na barriga da mulher. Ninguém segurava ele não”, relatou o familiar.

Eles ainda acusaram o síndico de debochar dos moradores após a chegada de uma equipe da Polícia Militar, pois, segundo as testemunhas, ele estava acompanhado por um major da corporação e este teria impedido os soldados de prendê-lo em flagrante. “Esse síndico estava bebendo com um major e os policiais ficaram um pouco intimidados e não prenderam ele em flagrante. Eu perguntei a ele se ele não tinha filho adolescente, estava bêbado e veio pra cima de mim, tirando onda. Todo ousado, sem respeito”, criticou outra moradora do prédio, em outra gravação.

 

Outra versão – José Sandro, por sua vez, negou que tivesse debochado dos moradores, mas alegou que houve agressões de ambas as partes. Ontem, em entrevista à TV Atalaia, o síndico afirmou que interveio na festa para reduzir o volume do som ligado pelos adolescentes. “A música estava de forma abusiva e foi solicitado por mim para que houvesse um controle daquele som. Não fui atendido, disseram que não seria atendido de forma alguma. Eu tentei contornar a situação e daí fui agredido juntamente com os meus amigos”, disse ele. Sobre o adolescente que teve os dentes quebrados, Sandro admitiu que o rapaz foi agredido “acidentalmente” e tentava intervir para acabar com a confusão. “Ele diz que foi por mim, não lembro no momento, mas eu acredito nele, porque ele é meu amigo”, afirmou.

O síndico também admitiu na entrevista que estava bebendo na piscina naquele momento, mas negou estar embriagado e disse ter agido para “evitar uma situação desagradável” causada pelo som alto. “Não existe nenhum santo nessa história. As duas partes estão erradas, tanto eu quanto eles [os adolescentes]”, afirmou, acrescentando ainda que o major da PM é morador do condomínio e não impediu a ação dos policiais, mas tentou acabar com o tumulto e também foi agredido. Sandro informou ainda que também prestou um boletim de ocorrência e prometeu se apresentar para prestar depoimento. O inquérito deve ser assumido pela 1ª Delegacia Metropolitana (1ª DM), no Leite Neto, que pode requisitar imagens gravadas pelo circuito de segurança do condomínio. A PM confirmou que o major teve ferimentos leves durante a confusão e também negou que ele tenha impedido a ação dos soldados que atenderam à ocorrência.

 

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